Este será o últmo post de 2008.
Vou aproveitar os derradeiros dias de férias para fechar-me na minha concha. Hibernarei duas semanas, sensivelmente.
Quando regressar à "vida activa" espero que o meu País esteja mais desperto, mais atento e menos embebido nesta solução acre, pre-vegetativa, anémica e pueril, de olhar para o futuro com um bacoco encolher de ombros, acompanhado pelo sacramental «...é a vida, o que é que se há-de fazer...».
A esperança é a última a morrer. E por isso não quero despedir-me de mais um ciclo de 365 dias de "trampas inqualificáveis" sem um rasgo de leveza, um laivo de positividade e optismo, pelo futuro que se avizinha.
Cá bem no fundo de todo o azedume e desencanto, há qualquer coisa que ainda me puxa para a frente. Talvez seja a consciência indubitável que somos muito melhores que isto, que apenas temos medo de dar um valente "pontapé na mesa" e mandar o bacalhau e o perú dar uma curva. Talvez seja por a apatia ser o grande flagelo das sociedades modernas, "evoluídas", e acreditar, visceralmente, que os grandes responsáveis pela decadência da raça humana somos apenas e só nós, e as responsabilidades não são escamotiáveis. Talvez por acreditar em "Utopias", mas ter a fé inabalável de que para o Homem apenas a morte não é ludibriável (para já), eu ainda insista em escrever sobre o que me polui o ar. Acreditando, quem sabe, que também a vós vos custe respirar, e o despertar de consciências esteja para breve... Talvez por isto, e muitas outras coisas, vos/nos deseje "As Melhoras", em vez dos gastos "Feliz Natal" ou "Bom Ano Novo".
19.12.08
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2 comentários:
Eu recuso-me a afinar com o coro do «2009 vai ser um ano bem pior do que este». Havendo esperança e vontade já é meio caminho para a cura.
As melhoras pra ti também!
Li este post e confesso que ponderei mais que o costume se havia de comentar ou não.
O facto é que pouco ou nada tenho a dizer quanto a esta opinião. Provávelmente penso de forma semelhante à aqui descrita. A aversão à inércia estabelecida e ao comodismo das pessoas (de "nós") é inegável.
Acredito e aqui constato que, de facto, nem toda a gente se resigna a amorfia que parece prevalecer nos dias de hoje.
Do pouco que já vivi, já aprendi que não existem utopias e por consequente nao aceito a perseguição das mesmas. Não acredito na perfeição. Não obstante, acredito que podemos melhor... e mais. Assim sendo vivo (como penso que tu o fazes tambem e poucos outros) de forma a tentar ser e fazer o que penso ser melhor para mim e para tudo. Pode até ser uma gota no oceano, mas nao deixa de ser mais uma gota e terá concerteza algum peso, mais não seja para mim.
Não quero correr o risco de me tornar enfadonho com as minhas divagações que até podem ser consideradas irrelevantes, mas não podia deixar de retribuir a este post, de agradecer o desejo e assim retribui-lo:
"As Melhoras"
obrigado
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