23.12.09

Cuts You Up!

Mau tempo.
Pronuncio de mudanças, de fins e inícios.
Para vós, a minha visão (de um só jorro e sem 2ºs takes) de "Cuts You Up" do P. Murphy, disponível no meu Player, aí ao lado!

21.12.09

Thinking me Dead, Allan?


Sou uma verdadeira besta! E como tal, apropriei-me deste excerto de um poema do “Goth Father” Edgar Allan Poe (For Annie) e dei-lhe vestes do meu ‘guarda-fatos’.

O resultado é o que já podem ouvir no meu player.

Gaudio para apreciadores e desespero para quem já não me suporta…

17.12.09

Calados

... e as bocas calam-se com beijos.

14.12.09

Humminbird



«Sorris timidamente, quase desculpando-te o sorriso por não saberes o que dizer; já carregaste um sonho em braços, mas agora são os cacos que te prendem, uma alcofa de saudade que carregas por trás de lentes fumadas; sorris, que mais podes fazer; um sorriso vale tanto, vale dias, anos, vidas; um sorriso vale tudo o que não se vê, o que carregamos nos ombros, nos sacos, nas mãos; o sorriso são os cacos, são os cacos que transportas pela manhã; sorris, que mais podes tu fazer...»

5.12.09

Há tanto

Há um fogo
cá dentro,
que teima em arder,
que teima em deixar-se padecer
na tremura dos dias

Há gestos
por dentro,
que debitam chagas,
como soluços,
como beijos,
perdidos em gestos catárticos

Há sono
por adormecer,
melodias secas pelo pó,
malabarismos fonéticos
que degustam a alma
como sobras

Há gente
ébria,
que dança,
ao bater erróneo das portas,
ao rasgar de roupas,
ao vento,
em bicos de pés
para que tudo cesse

Há tudo
num infindável óbito de palmas,
de corpos que não se querem,
que de tanto desejar
se devoram apenas no segredo,
numa lava de medo

Há tanto...

25.11.09

À Flôr de mim...

O toque... a pele... sempre a pele... como um sopro... um sussurro... alguma coisa que nos sai pelos póros sem que se queira... a pele... sempre a pele... a tua pele... macia como seda... alva de sorrisos... ânsia de sentidos... no bater... no bater... no teu peito sempre o bater... o toque... a pele... sempre a pele... à flôr de mim...

20.11.09

Brandura

Tão doce
o teu sorriso...

Como um banho de petúnias,
rosas,
canela e alecrim;

Um adeus que se agiganta
na permissa do regresso,
- imenso -,
que se quer
breve...

Na tez
alva,
bailam querubins
sorrindo,
brincando no teu peito,
nos teus cabelos de fogo;
num jeito de ser
não sendo,
num jeito de querer,
não querendo...

Os dias são mais longos que a própria vida
E ela não se detém,
para te olhar,
para te sorver,
Para te dar de novo as telas,
em branco,
para que possas pintar tudo outra vez
em verdes mantos,
e espalhá-las pela cidade
como um fruto maduro e fresco,
abrindo a alma e os sonhos
-outra vez -,
de rua em rua,
de sombra em sombra...

É tão doce
o teu sorriso...
Um banho de petúnias,
rosas,
canela, alecrim...

No acre da penumbra,
No tojo da memória,
uma luz que sobranceia
o dia, a noite
a maldita noite que nos ama tanto,
essa irmã fugitiva,
... a tua luz,
... o teu gesto,
de querer - sem mais;

Num fio de brandura
a tua luz permanece...







17.11.09

Como dantes...


Podia dizer-te já que "sim",
Podia contar-te mil e uma estórias,
Podia abraçar-te e devorar-te num ápice,
Podia tomar-te pelas ancas e amar-te,
Já...
Agora...
Aqui!

Mas os rugidos já não ecoam nas paredes
As sombras pararam de dançar
E o silençio ensurdece...

Podia querer-te como dantes

Mas já não seria a mesma coisa....

16.11.09

DesarRumos

Recentemente chegada a estas coisas de "blogar", o vosso carinho e atenção ao blog da minha amiga Olga Nabais: DesarRumos

13.11.09

"SYRAH"

É no fumo que te encontro,
alma perdida
É neste rasto de incerteza que te abraço

Só no espesso bailar da cinza,
queimada a cada trago,
saboreio a tua ausência
A consciência de ti...

É no fumo que te encontro
Por não saber quem és,
doce melodia

É nesta sobra de memória que me aconchego
- pouco mais resta para abraçar
As lembranças,
apenas as lembranças...

As mãos entrelaçadas como teias,
as bocas unidas numa aflição,
porque o momento urge,
porque daqui a pouco nada mais vai restar...

É no fumo que te reencontro,
alma perdida
Onde estavas?

Os passos não te chegam...
Os trilhos não se abrem...
Mais um sorriso para o caminho
Mais um abraço para matar

É no sono perdido,
no capitular desmedido,
que te oiço cantar
Longe,
tão longe...

É aqui que te encontro,
alma perdida...
Aqui,
onde estou
agora,
onde sempre hei-de estar...

12.11.09

Barrosidades


O ser humano não pára de me espantar.
A sua capacidade inacta de ser perverso e dissimulado, aproxima-me cada vez mais dos meus "parentes" irracionais.
Todos temos receios.
Tememos o que desconhecemos instintivamente e, muitos de nós, entregamos certezas em bandejas decoradas a fitas coloridas e aromas inebriantes. Para que sejamos aceites, compreendidos e amados na nossa estranheza de sentir, reagir ou remoer.
Homens e Mulheres - por estes dias um conceito ambiguo -, respiram, amam, desejam, morrem ou sorriem a espasmos.
Aprende-se por osmose, mas ensina-se por catarse, na terceira pessoa, resguardando e filtrando a essência do que se transmite no medo puro e simples de ser-mos desmacarados.
Quando cai a popeline , quando cai a capa, quando a chuva nos encharca até aos ossos ao ponto de a prória alma sufocar, apenas nesse momento se desfazem os nós, como uma escultura de açúcar aquecida pelo bafo acre da verdade incontornável.
Porque a verdade o é! Porque a verdade não deixa nunca de ser: incontornável!

Insistimos na mentira, na ilusão...
Porque é tão mais fácil fingir que se dá, do que dar verdadeiramente.

Acredito que somos o rascunho, parco, de uma obra maior. Muito maior! Perdida, algures, na oficina de um mestre oleiro... E o barro está seco, quebradiço...
Cuidado!

11.11.09

Detrito

«
Não posso voltar abrir o meu peito...

É necessário que o feche,
que o encerre para sempre num poço profundo,
que o tape com muita terra,
ervas e arbustos,
para que ninguém o encontre,
para que se confunda com a solidão,
as plantas,
a humidade e o gelo das manhãs frias...

Não posso voltar a deixar
que ele pronuncie uma palavra que seja,
que te abra a porta dos meus sonhos
e te deixe entrar como uma brisa,
que permita o teu sopro dentro de mim,
ou que te embale com as minhas canções de palhaço pobre...

Não posso oferecer-te de novo,
sem receios,
o que de mais puro há em mim...
para que tu o consumas alarvemente,
e despejes o que sobra,
como sobra,
num canto qualquer desta cidade imunda...
Mero detrito sem importância...


Não posso querer-te como quero,
tão despreocupadamente,
tão louca, estupida, infantil e 'deliciosamente',
ao ponto de sombrear a tua indiferença
com cores berrantes e caras,
para que me iluda mais um dia,
mais um pouco...

Não posso dar-te o meu sangue...
Ferve demasiado pelo teu toque,
lascivo, demente...
E não posso dar-te mais de mim,
porque me perco uma e outra vez,
a cada dádiva,
a cada passo,
a cada abraço,

Não posso.
Não posso,

... não posso!
»

4.11.09

"Lembra-me um Sonho lindo... Quase acabado"

É um dos poemas mais sensuais que já li. Tão simples, tão puro, tão carnal e tão terreno, apesar da sua quase que pueril simplicidade.
A fome de alguém por outro alguém... A prisão e extase da emoção de um toque, um respirar profundo...
Com todo o seu mau feitio, que é bem do conhecimento público, Fausto Bordalo Dias (o cantor maldito) teve o descernimento perfeito para, num rasgo de genialidade, cravar na roda do tempo uma das mais perfeitas leituras, na minha opinião, sobre a paixão e desejo puros...
«Lembra-me um sonho lindo
quase acabado,
lembra-me um céu aberto
outro fechado
Estala-me a veia em sangue
estrangulada,
estoira num peito um grito,
à desfilada
Canta rouxinol canta
não me dês penas,
cresce girassol cresce
entre açucenas
Afoga-me o corpo todo
se te pertenço,
rasga-me o vento ardendo
em fumos de incenso
Lembra-me um sonho lindo
quase acabado,
lembra-me um céu aberto
outro fechado
Estala-me a veia em sangue
estrangulada,
estoira num peito um grito,
à desfilada
Ai como eu te quero,
ai de madrugada,
ai alma da terra,
ai linda,
assim deitada
Ai como eu te amo,
ai tão sossegada,
ai beijo-te o corpo,
ai seara,
tão desejada »
Se não corelacionam as palavras ao tema, eu dou uma ajuda:

3.11.09

Sublime!

É bem possível que já tenha postado, algures no passado, esta canção aqui, neste meu pequeno "quarto" virtual... Mas como o que me toca cá dentro nunca me cansa, aqui está:



Será preciso dizer mais?

20.10.09

A Cidade dos Sonhos

« Chegaste como uma brisa...
Acocoraste-te no peito desta Cidade de sonhos dormentes,
e adormeceste num sono leve e quente...

A Cidade parecia querer beijar-te,
a cada passo,
a cada sorriso;

Um lume de arder punjente...

Escorria nela o sonho dos teus passos,
do teu cheiro...

Chegaste como uma brisa,
e agora és vendaval;

Emoções que cavalgam descontroladas
ao sabor do sangue que ferve,
as entranhas do mais profundo desejo
amordaçado pela razão - a demência;

Mas não é esta a Tua Cidade..
A que te abraça,
a que te aconchega os anseios,
te demove dos medos,
e te lança na aventura de mais um dia
de passos certos e sorrisos apressados;

A Cidade dos Sonhos -essa- persiste...
E nela serás sempre um lume,
de arder pungente;

E a cada passo,
a cada sorriso,
ela vai de novo querer beijar-te...
Pois o teu cheiro há-de morar nas suas ruas,
nos seu becos,
nas suas portas e janelas,
na sua alma,
para sempre...

Basta tu quereres voltar.»

19.10.09

Revivências

Continuam a haver sentimentos em mim que insistem e persistem...


«Estou distintamente vivo.
E vivo na distinção de morrer a cada momento de alegria,
nesta vida cheia de nada.
Estou distintamente vivo
e confesso que até dói,
quando me atiram à cara que o mundo morre a cada dia,
Se sou eu que morro e ninguém nota.
Estou distintamente vivo.
Já nada me detém de viver.
Nem a curva apertada,
nem a faca afiada da noite que me procura...
sempre.
Estou distintamente vivo
e sei-o tão bem.
Tão bem que me apunhá-lo a cada passo...
e não sangro.
Logo,
Estou distintamente vivo!
É a vida que me mata.
Se na morte me saudar,
Se na morte me recolher,
Se na morte adormecer,
Niguém mais,
Nunca mais
me vai poder matar...

Estou distintamente vivo.
Só me falta respirar...

Lder JP Santos »


Algures em 2006...

14.10.09

Quem és Tu?

«Sou demasiado permissivo.
Deixo que me destapem sem perguntar o porquê de semelhante acto… Está frio, mas eu não questiono.
Dou-me demais. Talvez porque dar seja o meu maior vício. Dar é como ar, oxigénio, sangue.
A entrega assusta-me, mas o susto incapacita-me a negação. Por isso, deixo-me embebedar pelos sentidos, esqueço a razão e parto à descoberta.
Redescubro-me nos outros e estremeço a cada passo, mas sou incapaz de recuar.
Invisto sozinho. Luto contra adversidades titânicas. A cada golpe arregaço as mangas, para que possa sangrar mais e mais… Como uma purificação masoquista, redentora, de uma fome que não entendo.
De poros abertos, de peito escancarado, recebo demais… Permito demais.
O divino embriaga-me.
Estonteia-me a simplicidade levianamente bela com que a natureza te criou. Como um lago verdejante, recheado de sensações puras e avassaladoras... E eu mergulho cada vez mais fundo, sem medo da apeneia impreparada, louca, primitiva…

Adormeço de cansaço. E lá no fundo, na paz de um acordar ainda ébrio, no silêncio do teu regaço, a paz… Apenas e só a paz me é oferecida como verdadeiramente minha.»

1.10.09

"Telemovisses"

Operador: Espero tê-la esclarecido.
Cliente: Sim, sim. Completamente. Muito obrigado mas, não estou interessada...
Operador: Posso ajudá-la nalguma questão?
Cliente: Não...
Operador: Então muito obrigado pelo seu tempo e 'até já'!
Cliente: Então, mas vais ligar outra vez é?
Operador: aahhhmmm... Não! Errr... hum, aaahhh... Obrigado, um bom dia e com licença.

"Click"



16.9.09

"Sobras"

Sobra-me tanto
do pouco que dou de mim...

A vida não merece a minha morte,
Tão pouco a morte me merece também.

Sobra-me tanto...

Em tempo,
cura,
lamento e sorrisos;
Sobra-me o que não permito que a alma amordasse,
sobra-me o que a boca não verbaliza,
num pudor sonífero,
na dormência...

A manhã que me sobra,
alimenta a noite de excessos;
E sobram-me as horas para outro dia,
outro excesso;
Outro exercício de amargura momentânea,
bulindo palmas,
pernas e braços,
na sobra epilética da racionalidade indusida;

O que me sobra são dias e anos...
Faltam-me as horas,
os minutos, os segundos;
Os espasmos das promessas felizes,
que a cada sobra
perpetuam os restos,
os incomensuráveis restos
onde insistimos na leviandade da certeza,
que o que sobra é bom,
que o que sobra é a verdadeira alma da existência terrena;
Mas são mais as sobras permanentes
que tudo o resto;
Tudo o que fechamos em arquivos de fumo...
E basta uma brisa
para que tudo seja,
de novo,
uma atroz sobra de revivência.



















10.9.09

Dúvidas "Lagoenses"!

A companheira anfíbia, moradora na Lagoa Verdusca, dissertou, no seu último post, sobre os mui comentados aumentos/actualizações de preços na Auto-estrada A21 - aconselho vivamente a leitura do post, bem como as reacções em forma de comentários.

Agora, por cada viagem Venda do Pinheiro/Ericeira (ou vice-versa), o burgo desembolsa 2,10€ (4,20€ se se fizer a viagem nos dois sentidos).

Apesar de na altura em que esta proposta PSD foi discutida e aprovada, por maioria em Assembleia de Câmara, a generalidade dos munícipes do Concelho de Mafra se terem remetido ao silêncio, actualmente, com a entrada em vigor da nova tabela e com os bolsos em alvoroço, os "saloios" mais firmes e irtos prometem contestação.

Petições on-line, buzinões e manifestações de descontentamento estão garantidas para os próximos tempos, enquanto a situação não for revertida - o que, convenhamos, conhecendo um pouco da atitude do já vintage Presidente da Câmara, me parece pouco provável.

A menos que 4.000 assinaturas canalizem o assunto para a Assembleia da República, obrigando assim o Governo a intervir, todo este escabeche será em vão. Portanto, na minha qualidade de "fulano do contra", aqui está o endereço que vos põe a par de todas as iniciativas relativamente a esta matéria, bem como acerca da petição em causa: http//:a21.planetamafra.com

8.9.09

"Há Festa no Coreto"!!!


Será uma grande Festa e uma honra enorme para o Rui, o Miguel e para mim.
Muito obrigado à Junta de Freguesia dos Olivais, à Casa da Cultura e à Ideia Para a Cidadania, na pessoa da simpatiquíssima Claudia Monteiro, pela aposta em nós e generoso convite.
Estamos ansiosos por este dia!

3.9.09

A Saia da Carolina!


Tenho andado arredado de "bloguíces", mas a razão é forte: Demasiado trabalho e pouco Cognac. Se bem que uma Courvoiser em balão aquecido caia sempre bem, seja a que altura for.
Neste momento estão os 'atentos' a vociferar: «Olha-me o mangas! Sempre com a mania que é do contra e depois bebe liquidos reaccionários!!!».
A esses respondo: Se vem do Vinho é do povo!

MAUMMARIA Trio vai estar, esta sexta-feira (04-09-09), a partir das 23h45, no "Tito Vangrogue", no Sobreiro (Mafra), para mais duas horas de canções portuguesas.
Como é evidente, aqui fica o convite para aparecerem por lá, caso haja disposição e vontade.

Mostraremos algumas versões novas para o Vangrogue e, em princípio, estrearemos a nossa mais recente aposta: "A Saia da Carolina". Uma canção do Universo Galaico-Português que faz parte do imaginário, ou pelo menos da infância, de grande parte dos portugueses. Até mesmo daqueles que só ouvem Black Eyed Peas ou Da Weasel.

« A saia da Carolina tem um lagarto pintado.
Quando a Carolina baila o lagarto dá ao rabo.

O sapato pede meia e a meia pede sapato.
Uma gaiata bonita também pede um bom gaiato.

Bailaste Carolina?
Bailei sim Senhor.

Diz-me com quem bailaste?
Bailei com o meu Amor!

O Pintassilgo quando canta mete o rabo na Figueira.
Eu também o meteria numa mocinha solteira.

O senhor Cura não baila porque tem uma Coroa.
Baile senhor Cura baile que Deus tudo lhe perdoa.

Bailaste Carolina?
Bailei sim Senhor.
Diz-me com quem bailaste?
Bailei com o meu Amor!
»

7.8.09

Bicheza...

- Estou com um problema grave de virose no Logotipo do meu Blog.

- Destilas demasiado veneno, pá. Depois as térmitas não perdoam!

5.8.09

Estrume e Bostas fumegantes

Chamem-me o que quiserem: "Velho do Restelo", preconceituoso, estúpido, enfim, o que melhor vos aprouver. Deêm lá as voltas que quiserem dar, não me demoverão desta certeza que me povoa a alma de há algum tempo para cá.
Perdoar-me-ão a frontalidade e o vernáculo, porém, tenho de o gritar a plenos pulmões:

BURAKA SOM SISTEMA É O MAIOR CONTENTOR DE MERDA SONORA QUE JÁ VI A BOIAR EM TERRAS LUSAS, NESTES ÚLTIMOS ANOS!!!

INSUPORTÁVEL! INSUPORTÁVEL!!! IN... SU... POR... TÁ... VEL!!!!!!

Mas os putos gostam. E abanam a peidola... Fumam ganzas e apanham grandes "tolas" ao som plástico, desenraízado e fétido que emana do "burako".
As rádios nacionais promovem, divulgam; as editoras patrocinam e propagandeiam; a Música no Coração, e outras produtoras de espectáculos, contratam-nos a peso d'ouro como cabeças de cartaz para os seus festivais, cada vez mais formatados e orientados para o adormecimento social e cultural: « Durmam meninos, durmam. Fumem disto e daquilo. Tomem lá festivais, campismo, ganzas, alcóol à fartazana; tomem lá Buraka Som Sistema; adormeçam o espírito e a vontade; mesmo que o vosso futuro esteja, há muito, hipotecado; mesmo que a vossa vida seja formatada e programada nos ministérios, nas secretarias de estádo, nas redacções, nos concelhos de administração, nas organizações mundias de saúde e solidariedade, no banco central europeu, no G8, na UE, no Pentágono ou na OCDE; mesmo que o que julgam saber seja aquilo que NÓS permitimos que saibam; durmam descansados, durmam; NÓS garantimo-vos o futuro - WEGGE WEGGE -, vocês são a garantia da continuidade na mediocridadade da inércia na apatia - WEGGE WEGGE -; dancem, fumem e bebam à vontade, NÓS tratamos do resto - WEGGE WEGGE ...»

Eu não sou deste tempo... Não posso ser. Recuso-me a ser! Mesmo que o "azar" e o infortúnio me persigam, recuso-me a ser o que querem que eu seja. Recuso-me a consumir este esterco, esta demência, este adormecimento colectivo.

Não, Não e Não!!!

Sou gente, tenho alma... Sou gente. CHEGA!

30.7.09

Adormecidos há demasiado tempo!

Não aprendemos nada...
Continuamos cegos, aparvalhados...

Adormecidos pela MTV, pela "Aut Coture", pelo Benfica, pelas novelas, pelo esterco, pela ilusão, pela certeza da fé falsa, oca...

Continuamos A DORMIR!!!



10.7.09

Cartas...

Há pelo menos dois dias que dou por mim a cantar (na minha cabeça, calma) o tema "Mailman" dos Soundgarden. Uma canção bem criptica do álbum "Superunknown", datado de noventas e qualquer coisa - o ano pouco interessa...
Encontrei no "tubo" uma rara aparição em televisão de Cornell e sus Muchachos e não podia deixar de a postar aqui.
A letra é um mimo, dada a muitas interpretações. Porém, quanto a mim, o final é claríssimo e faz mais do que sentido por estes dias.

"Hello don't you know me
I'm the dirt beneath your feet
The most important fool you forgot to see
I've seen how you give it
Now I want you to receive
I know that you
Would do the same for me

I know I'm headed for the bottom
But I'm riding you all the way

For all of your kisses turned
To spit in my face
For all that reminds me
Which is my place
For all of the times when
You made me disappear
This time I'm sure you will
Know that I'm here

I know I'm headed for the bottom
But I'm riding you all the way

My place was beneath you
But now I'm above
And now I send you a message
Of love
A simple reminder of what
You won't see
A future so holy without me

I know I'm headed for the bottom
But I'm riding you all the way
"

2.7.09

O que é Amar?

Amar é...
Querer mais que o desejo,
sentir no peito o clamor
de uma manhã que desponta;
A angustia e o anseio
de uma palavra pronta,
pronta para tombar,
porque o Amor verdadeiro
ama sempre demais;
Ter a saudade nos olhos,
a falta nos lábios
e o coração na ponta dos dedos,
como um chorrilho de medos,
trancados no fundo da memória;
Enleado na clausura
da paixão que pouco dura,
ataviar-se na sã demência
do abraço que não acaba,
a falta que persiste,
pura;
É como um rio que não abranda,
a constante demanda
pela entrega e pela dádiva,
sem ambição pela cobrança;
Um lago de abastanças
que não cessa o ardor da chama,
a eternidade do afago
no aperto da saudade;
São dias intermináveis num momento,
num minuto,
estarrecidos pelo encanto da partilha,
pelo aroma da metamorfose dos corpos;
O galgar de tormentas,
a conquista de tesouros na penumbra,
no desconhecido,
um terno pesadelo que alimentas de sonhos;
É uma ausência a abarrotar de vitalidade,
de cansaços,
um sarar de ferida aberta
para depois voltar a golpear
(outra e outra vez);
Um gelo de noites quentes
e o fervor de manhãs que cortam,
lâminas prestes a retalhar
o que já pouco sobra do que fomos;
E é um tudo,
e é um nada,
é como um muro que desaba,
aprisionando membros e alma,
é um grito de ajuda a libertar
(falsa calma);
São dias que não passam,
anos que não esperam,
corcel galopante de cascos decididos,
numa fuga para dentro de nós
- fuga atroz;
...
Amar?
Amar é um imenso mar de vazios...
E é a vertigem da queda
que nos faz sempre querer voltar.

1.7.09

Vangrogue


MAUMARIA Trio ao vivo no Vangrogue - Sobreiro/Mafra (10-06-2009)

23.6.09

Não (Eu não Sinto)

Não escrevas na emoção.
Não te deixes sucumbir à tentação,
À falta de objectividade,
De um sentimento que lateja.

De caneta na mão e peito a tremer,
Liga o traço da tua insanidade
À loucura do mundo,
Ás virtudes,
Aos vícios...

- Quais virtudes?!

Somos reféns de fantasmas;
Somos ícones de pandemias;
Somos terra pejada de parasitas...

Não bebas da emoção.
Não te apartes da dimensão,
Da racionalidade;
Mesmo que isso implique a demência,
Consciente;
Mesmo que a vida se torne insuportável.

Tu não sentes...
Tu não sentes.
Tu não sentes!

Lder JP Santos
19/03/2009

2.6.09

Sossega Zarolho!

Durante algum tempo vou estar quietinho, relativamente a escrita neste espaco...
Ultimamente, sempre que leio um texto meu, tenho a sensacao recorrente de que cada vez escrevo pior.
Portanto, vou deixar o teclado sossegar.
Tenho de tomar consciencia que, afinal, o melhor mesmo e fazer pela vida - como o meu sabio pai me ensinou -, e deixar-me destas macacadas do pensar, do reflectir...

34 anos. Mais do que altura de me tornar um homenzinho!

1.6.09

Efémera

Por estes dias, aconteceu algo na terra do “calhau mais famoso de Portugal” que me marcou pela negativa.
Apesar de ninguém ter falado no assunto (não sei, sequer, se alguém reparou seriamente no facto que vou passar a relatar), Mafra foi “invadida” por um número anormal de borboletas, durante o fim da semana passada.
De todas as cores, de todos os tamanhos e feitios (mais pequenas ou maiores, laranjas, vermelhas, amarelas ou até azuis, que é raro), surgiam ás dezenas.
Especialmente junto a árvores com flor, as pequenas “efémeras” bailavam com delicadeza e suavidade, ao sabor de uma temperatura anormal (trinta e muitos graus) e nada usual para esta altura do ano.
Teria sido o calor? – pensei. - Provavelmente, as temperaturas anormais aceleraram um processo que as fez vir ao mundo em maior número e especificamente nestes dias; provocando nas pequenas a ilusão de que esta era a altura certa para o fazerem.
São suposições apenas. Quem seja especialista, se quiser, que se pronuncie avalizadamente sobre o assunto.

O espectáculo multicolor de dezenas e dezenas de borboletas a esvoaçar pela vila, depressa se tornou hiper desconfortável e penoso para mim, assim que me sentei no carro e me comecei a dirigir para o meu destino.
Cruzando a estrada, estatelando-se contra o pára-brisas, sempre aos molhos de sete ou oito de cada vez, os pequenos e belos insectos iam tornando mais curta uma existência que, por si só, já é bastante diminuta. Pelo menos à nossa dimensão egoísta…

Tentei desviar o veículo de algumas delas mas, ás tantas, desisti. Pois por cada vez que, numa fracção de segundo, o meu olhar caía sobre uma das muitas e belas borboletas coladas ao alcatrão, mais cinco ou seis eram levadas pela grelha da frente do meu automóvel, ou de outro que circulasse em sentido contrario.
Tudo aquilo mexeu comigo de uma maneira difícil de descrever.
A determinado ponto da viagem, já bastante agastado pela pequena “insectificina” que estava a perpetrar (apesar de, aparentemente os outros condutores me pereceram obtusos e absortos como sempre), dei por mim a vociferar ás suicidas coloridas, em voz de comando: - Saiam de frente, gaita! Porque diabo vêm vocês para o meio de estrada?

Assim que sai do Concelho de Mafra e entrei no vizinho (Sintra) as borboletas desapareceram.

Aquele sentimento de desconforto esteve comigo o resto do dia.

No sábado, decidi dar uma saltada à Foz do Lisandro.
De quando em vez, um “velho amigo” chama-me e faz a gentileza de me brindar com cristas perfeitas e paredes brilhantes e longas.

Estava um dia lindíssimo. As ondas deliciosas.
Porém, a determinada altura (e como é fantástica, apesar do elevado estigmatismo, a capacidade que a minha visão tem em se fixar em determinadas pontos), assisti a mais um combate titânico pela vida.
Uma pequena borboleta laranja debatia-se nas águas, tombada sobre uma asa, agitando ferozmente a que mantinha seca.
Aproximei-me dela e tomei na mão – perante o espanto de surfistas e bodyboarders.
Tentei a todo o custo que se elevasse sobre as suas pequenas patitas.
As asas, afinal, estavam ambas encharcadas. Uma das suas antenas também… Sussurrei-lhe: «Aguenta pequena…»
Estava decidido a esperar ali, sentado na prancha, fora da zona de rebentação, que as asas secassem e que ela pudesse regressar a um voo cândido, para longe da sina a que este colosso de água e sal a tinha condenado.
Chegar a terra com aquela pequena vida na palma da mão seria impossível. A espuma e a ondulação não mo iriam permitir.
A melhor solução era mesmo ficar ali e esperar, pacientemente, que as asas secassem.

O mar na Foz é, por vezes, imprevisível.
Dei comigo a ser arrastado pela corrente para a zona de rebentação. Estava tão absorto na minha missão, que não dei pelas águas e para onde me estavam a levar.
Ela, pintalgada por castanhos pretos e laranjas, tacteava, suavemente, a palma da minha mão com o seu espigão longilíneo… Porque motivo não sei.
Uma onda mais robusta aproximava-se… Posicionei-me apenas com uma mão segurando a prancha e a outra fora d’água, agarrado aquela vida que estava decidido a não deixar fugir.
Passei incólume pela vaga. A minha pequena amiga não…

Regressei a casa pouco depois… O mar acalmou, de repente.
Pelo caminho apenas gente, carros, casas e depois mais gente.

Este mundo está todo ao contrário.
Eu pelo menos vejo-o ao contrário, do avesso.
Quem anda por aí, no mar, nas estradas e nas ruas, parece demasiado preocupado em querer tudo de repente. Quando, ás vezes, é de repente que tudo se vai.
Valerá a pena correr tanto?

28.5.09

MAU MARIA no Vangrogue

Foto daqui

O trio MAUMARIA apresenta-se no Bar Vangrogue (Sobreiro/Mafra) a 10 de Junho, ás 22h30.

26.5.09

MAU MARIA no Myspace

E pronto. MAUMARIA no Myspace!

Podeis consumir quatro versoes de um 'respeitavel' reportorio de, sensivelmente, duas horas.
Versoes essas que foram gravadas em 'take' directo, durante um ensaio.

Ide ver e ouvir, caso tenhais tempo e pachorra...

25.5.09

"Tony... mi nombre es Tony Santos!"

Acho que me estou a tornar num Fundamentalista.

Estar integrado num projecto tão exigente e absorvente como é MAUMARIA, tem revolvido as minhas certezas mais obtusas, bem como a real percepção do que são as nossas verdadeiras raízes.
Um pensamento tão rebuscado como: «Saber de onde vimos é saber para onde vamos», faz-me cada vez mais sentido, nestes últimos tempos...
À medida que uns vão bailando ao som da corrente, outros insistem na autenticidade, na verdade e na pureza de intenções.

Apesar das crises e dificuldades de sempre, continuamos a viver tempos de mediocridade e apatia - basta ouvir as ruas ou ler os jornais.
Practicamente, tudo é permitido. Todas as afrontas, os insultos...
O que conta é o espectáculo, o "chanam" da tragédia e do bizarro.
Verdade, honestidade e camaradagem fazem parte de um universo perdido na poeira dos tempos, arquivado na prateleira do sentir humano - uma cadeira que não se dá nem nas Universidades, nem nos cursos técnico-profissionais; antes do inglês ou de outra lingua qualquer, na primária, no preparatório e no secundário, devia existir uma destas disciplinas: "Senso Comum", "Ser Humano" ou "Racionalidade e Obscurantismo".

Na madrugada de Domingo, fui presenteado com a animação nocturna de um tal Tony Santos, coadjuvado por outro alarve de nome: Rui Pimpão, com respectiva Cª (João Canto e Castro).

Com o devido respeito que qualquer "ganha-pão" me merece, é impossível não me insurgir contra as barbaridades perpetradas por estes "Jaimões Wanna Be", "viradores de frangos" e divulgadores da banalidade.
As alarvidades pseudo-musicais sucederam-se, imparáveis, umas atrás das outras, incessantes.
De tal forma que, a determinada altura, atingiram o ponto da insuportabilidade. Tanto por parte do Tony, como do Rui (director de vozes do conhecido programa televisivo "Contra-Informação", como o "Santo Bobo" de serviço fez questão de bajular, a páginas tantas).
O Canto e Castro, pobre coitado, é indissociável dos bonescos a quem dá voz.

A cereja no topo do bolo surge quando Tony, ao assassinar, sem apelo nem agravo, uma composição de conhecido mérito e beleza do GRANDE Zeca Afonso ("Canção de Embalar"), no vocalizo emblemático do tema em questão ( oo uu oo oo uuu ooo....), remata com um animalesco: «tipo Pai Natal, 'tão a ver!»

Eis a canção (original) esquartejada pelo ícone da noite do Oeste, o verdadeiro Animal da
(des)animação "cantadóestupidificante", embalada por um oleoso, gasto e inesquecível (pela negativa) vibrato cabresto (mééééééé): Tony Santos!




Pois é, caro Tony, há coisas que não dá mesmo para tentar imitar.

Pelo que me foi dado perceber, os poucos que suportavam este martírio pareciam satisfeitos com o que viam e ouviam. Facto que me deixou triplamente reticente, quanto à tão aguardada mudança de atitude e postura, necessária à evolução de mentalidades e espíritos para o combate ao negativismo e opressão capitalista, causadora da tão bafejada crise que nos apoquenta e condiciona o futuro - dizem os "novos esquerdistas" e "messias" derivantes.

É certo que a estupidez e ignorância são legados multi-geracionais, mas será que o autismo consciente também o é?

Com tanta informação disponível (mais ou menos condicionada, mais ou menos parcial - é uma questão de filtrar o que interessa); com tantos canais de acesso facilitado, com tudo o que se tem escrito, dito e cantado, só me resta concluir que só consome esterco quem se sente bem nele.

Assim, mais uma vez, reforço esta certeza: Definitavemente, nasci fora de tempo...

19.5.09

MAU MARIA !

Está oficializado o nascimento dos MAU MARIA.
Trio acústico, revivalista e saudosista.
Zeca Afonso, Trovante, Fausto, Sérgio Godinho e muitos, muitos outros nomes incontornáveis da musica popular e tradicional portuguesa, revisitados com muito carinho e respeito.
Agora, venham os espectáculos.
Bares, Festivais, Casamentos, Funerais, Procissões e outras coisas mais. Eles vão a todas!
Para receberem pequenas amostras do trabalho desenvolvido, basta enviarem um pedido singelo para geral.mau.maria@gmail.com ; ou então liguem para este número (96 387 18 30), de forma a saberem mais pormenores.



MAUMARIA


Rui Santos
Miguel Simões
e
Helder Santos


13.5.09

Caminhos...

Deixa-te guiar pelos pequenos ócios, pelas pequenas fraquezas; como se os dias fossem os últimos, como se os minutos te fugissem - aríscos, rebeldes...
Se uma ilusão te leva longe, será coerente crer que os sonhos podem estar mesmo aqui ao lado, pacientes, à espera que os distingas no emaranhado de coisas por fazer.

7.5.09

De Negro

Se tivesse nascido mulher...

4.5.09

Afastamentos

Tenho andado um pouco arredado destas "coisas bloguisticas", mas a razão é simples: Recebi, há umas semanas atrás, o convite de um amigo para, juntamente com outro "conviva", iniciar-mos outra aventura - mais uma - que nos tem levado a redescobrir muitas pérolas esquecidas da música portuguesa.
Trovante, Zeca Afonso, Temas de Cançioneiro Tradicional Português, Fausto, etc, são uma pequena amostra do vasto leque de escolhas - as obras suplantam sempre os criadores e a sua habitual fanfarronice, por isso, políticas à parte; a música primeiro!
Tentaremos "ir a todas". O objectivo é, de uma forma simples e despreconceituosa, fazer versões interessantes, em "tríade", de temas de artistas consagrados, como alguns dos que atrás referi.
É uma espécie de regresso ás origens. Visto que o formato é o mais acústico possivel.

Para além de todo o trabalho de arranjos e criação de interlúdios, "bridges", ou outros conceitos palpitantes no universo dos musícólogos, tem sido um desafio titânico re-aprender a utilizar a voz, de uma forma mais contida e o mais melódicamente possível... Mas o Mike e o Lula (Miguel Rodrigues e Rui Santos), fundadores do projecto Tapete Voador (www.myspace.com/tapetevoador), tem sido pachorrentos o suficiente para me ajudarem nas performances desejadas.
Já são alguns os temas com um pouco do aroma final pretendido.
Darei mais notícias logo que se justifique.

Entretanto, e apesar do afastamento, continuo a seguir atentamente os comentários, as dicas e os abraços de quem, a miude, me lê, através do mail: helder.lder@gmail.com .

20.4.09

Devagar... que é Tarde!

Calmamente, sem pressas – para variar –, estou a abraçar um novo desafio.
Com ele redescubro um poeta a cada esquina, uma harmonia a cada novo andamento, melodias que muitos julgam perdidas.
Estou a redescobrir a música portuguesa!



Vou dando novidades, assim que as haja…

16.4.09

Papões e Meias Verdades


Por vezes, dão-se voltas e voltas mas acabamos, mais tarde ou mais cedo, por tomar consciência de que a verdade está, quase sempre, nos locais de onde partimos.

O impulso da verdade leva-me, em determinadas alturas, e aos olhos de quem me observa, a querê-la exasperadamente; a levar a cabo epopeias, na maior parte das vezes vãs, para desmascarar a falsidade, o oportunismo, o clientelismo. Quistos do nosso tempo – bem sei – mas, a meu ver, os tumores malignos de um corpo débil a que chamamos Sociedade Moderna ou Civilizada. Como queiram…

Desde que me lembro de ser gente, de pisar a terra e sentir o cheiro do mar, que permanentemente oiço falar em crises. Na economia, na saúde, na cultura, no desporto, enfim…
Estar em crise tornou-se tão vulgar ou normal como: mudar de cuecas, coçar as virilhas ou cheirar mal dos pés.
Para mim estar em crise é, basicamente, saber que estou vivo.
Caso contrário, ficaria com a estranha sensação de ainda estar a sonhar, depois de uma noite repleta de fantasia e popelina, como em plena infância – nos tempos em que os pesadelos eram azuis, fruto do desconhecimento da realidade na vida adulta.
Tenho saudades de poder sonhar com coisas boas…

Este prelúdio serve para vos pôr a par, sucintamente, de uma troca de “mimos” que, há dois dias atrás, mantive com um dito “senhor”.
Chamemos-lhe “Senhor Z”. Digníssimo Director da empresa que agencia três nomes fortes da “World Music” portuguesa, e mais meia dúzia, sensivelmente, de outros tantos a nível mundial.
Não vou, como é óbvio, chamar os bovinos pelo respectivo apelido. Não quero ferir sensibilidades…

Indaguei o Senhor Z, via mail, acerca do critério adoptado por “determinada artista”, agenciada pela sua empresa, na “escolha” e validação dos pedidos de adição ao Myspace.
Isto porque essa função, na página pessoal em causa, estava vedada a utilizadores que tivessem a conta definida como “Músico/Banda”.
Fi-lo ao Senhor Z, porque até uma simples e mera mensagem interna, através do servidor Myspace, me foi igualmente negada, pelo mesmo motivo que acima apresento.

O meu desconforto aumentou quando constatei que alguns “notáveis” da música, cá do burgozinho, estavam adicionados à mesma página da referida “artista”. Tendo nos seus perfis a tal condição, que no meu caso, um reles não editado/não agenciado, era sinónimo de exclusão: Músico/Banda.

Quem me conhece, relativamente bem, sabe que não pactuo com meias liberdades, nem meias ditaduras.
Há muito que sou um dos maiores defensores da extinção da Democracia, neste formato lamacento em que se encontra.
Posto isto, destilei veneno.
Claro que sim!

Como devem calcular, a minha impetuosidade não foi bem aceite. Nem esperava outra coisa, para ser sincero!
No entanto, o objectivo com que a pus em pratica surtiu o efeito desejado.

Descobri, entre outras coisas, que afinal o Senhor Z até conhece um tal Senhor T (amizades de longa data, acabou por admitir); que por seu turno até é um homem influente – o Senhor T – e de grande poder no meio tentáculomusical português. Isto apesar de, nas primeiras palavras que me escreveu, em resposta à minha inflamada insurgência, o Senhor Z ter dado a entender que era um defensor das liberdades, opositor do clientelismo e abnegado mecenas na defesa e promoção dos verdadeiros valores da arte portuguesa, bem como dos seus criadores e executantes.
Entre “mimos” delicados e cinismo formal, próprio destas coisas, comprovei, mais uma vez, que ainda há muito por caminhar na direcção da limpidez e imparcialidade.

Obviamente, ninguém tem culpa de conhecer “A” ou “B”, mas lá que dá uma grande ajuda, isso dá!
O que mais me chateia no meio disto tudo é a falsa honestidade. Transversal a, praticamente, todos os quadrantes desta grande quinta – cheia de quintinhas privadas – a que chamam Portugal.
Propagandeia-se a justiça social, a igualdade de oportunidades, mas quem detém o usufruto das matérias são os “industriais” de sempre ou a respectiva “descendência”.

«A minha verdade é aquilo que eu quiser!» – a “democracia” é hipócrita a este ponto.

Dizem que o País está a mudar; que «agora com o levantamento do sigilo bancário a quem tenha mais de 100 mil euros na conta é que isto vai ao sítio…». Não acredito.
Haverá sempre forma de fugir, de dissimular; porque se conhece alguém que conhece alguém, e «todos têm o seu preço».
Assim há sempre lucro! Ninguém se chateia.



Não devo ter caído nas graças do Senhor Z… E ainda bem!
Esta minha mania de andar sempre a tentar levantar tapetes, para ver de perto o cotão e os pequenos parasitas que neles se resguardam, continua a dar-me muito gozo - por um lado - e a fechar-me muitas portas - por outro.
Que se lixe!
Porque sou chato e rezingão, chafurdo, procuro, cruzo dados, questiono, teimo; e é tão bom!



Acabei por não adicionar a tal “artista” à minha página, apesar dessa funcionalidade já estar disponível, como me assegurou o Senhor Z - que rapidamente tratou do assunto.
Ao que parece, o bloqueio tinha sido "inadvertidamente" accionado...
Pois... Mesmo assim, perdi a vontade.
Fiz uso da democracia e da "minha liberdade”.



No dia em que fechar os olhos, definitivamente, não vou tranquilo.
Todavia, estarei certo que fui incómodo, à minha maneira, para com os barões de capa rota que vão minando o bom da vida, aqui e ali, escondidos por baixo de tapetes velhos...

E tu, já levantaste poeira hoje?


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Fotos - o seu a seu Dono:
www.flickr.com/photos/confusedvision/445202203/
raizeseantenas.blogspot.com/2009/03/vgm-muita...
2muchignoranceisbad.wordpress.com/.../

Ena Pà, como eu gosto disto!

O homem é um porco.
O homem é um génio!

Em que ficamos!?

13.4.09

E o Senhor disse: Tirem o boné!

Páscoa! Não a entendo, não a condeno, mas não a practico.
À parte dos doces, e outros pitéus próprios da altura, não reconheço demais interessantes atractivos na celebração em causa.
Se bem que a folga na rotina entorpecedora de uma profissão gasta, desmotivante, "cega surda e muda", também não é desagradável de todo...
De qualquer forma, irritam-me fundamentalismos. Como tal, comi a bela da chichinha toda.
Tal como exalta um dos filósofos de subúrbio que mais aprecio: «O Homem, infelizmente, reencarnou. Não reempeixou!».

Depois, há outras coisas que me mexem com o "nervinho".
Estas celebrações estão dependentes de datas pouco claras, escritas por "alguém" há muitos anos atrás, com intuitos visivelmente discutíveis e certezas de franzir o sobrolho a quem, minimamente, se dê ao ofício de questionar ou de investigar um pouco - a internet tem de tudo, é uma questão de filtragem.

Porém, as beatas não questionam. Os clérigos também não. Estranhamente, apesar de toda a informação e contra-informação disponível, nem o próprio católico, comum e "reles" mortal, practica a dúvida - óptima para cimentar crenças e, fundamentalmente, fés inabaláveis.
Serei só eu a constatar que, para qualquer ordem religiosa, o princípio do contraditório tem sempre dois pesos e duas medidas?
... E Deus nos livre de pôr em causa a calibragem da "balança"!


Foto daqui

Neste fim-de-semana, andei pelos lados da Nazaré; visitei a belíssima Igreja em honra da nossa Senhora lá do Sítio. A tal que apareceu a Dom Fuas Roupinho e que, por força divina, obrigou o desenfreado corcel, onde seguia o dito burguês, a deter-ser à beira do percipício.

Supostamente, ainda lá está a marca do casco do quadrúpede. Eu não vi nada.

A Igreja em questão é divina, na verdadeira ascenção da palavra.
A talha dourada, os esplêndidos trabalhados do altar, o brilho que deles emana, o deslubrante e imponente orgão de tubos, enfim, tudo é um regalo para crentes e turistas.

Deambulava perto do altar, observando a colossal cúpula, quando um homenzinho, ao passar por mim, me faz um sinal estranho. Uma espécie de "psst" meio assobiado, coadjuvando um abanar de dedo indicador.
A príncípio julguei que se dirigia a outra pesssoa que por ali estivesse, mas rapidamente entendi que gesticulava para mim.
A razão de tal espasmo? Eu estava com um boné na cabeça dentro da casa do Senhor.
«Quando entro numa sinagoga é que cubro a cabeça!» atirou, severo e autoritário.
Respondi de pronto: - A minha relação com Deus, caro "amigo", só a mim me diz respeito.

Impressionante!
Deus é um tipo, realmente, muito antipático. Um frio do caraças e eu tenho de andar de cabeça ao léu.
Se calhar, até tenho um problema capilar complicado e não posso andar por aí de mona destapada... Mas na casa do Senhor é desrespeito!
Jimmy Doyle, ganga, patilhas, barbicha e boné. Hum... Só pode ser um "Satan's litle helper".

Sem o desejar, em pequeno, fui baptizado.
Na altura, não tinha sequer voto na matéria ou consciência plena do acto em si.
Hoje, por vontade própria, não o faria.
Como é que me posso rever num Deus tão austéro, cisudo, negro, soturno e ditador.
Amor, piedade, respeito... liberdade!?

Com tanta opulência, riqueza e despeito, a Igreja Católica continua a ser uma das forças mais poderosas e perversas no Mundo. Apregoando a bondade por um lado, mas engordando o cinísmo e a hipocrisia por outro.
Porém, o crente tem fé; o crente tira sempre o chapéu; o crente ajoelha-se perante a entidade que o diminui e oprime; o crente banha-se em regras instituídas, ao longo do tempo, pelo sangue, pela dor e pela morte.











Fé ou Morte!




Continuo a ter as minhas conversas com Deus, Alá, Buda, Hare Krishna - chamem-lhe o que quiserem -, sempre que quero.
Muitas vezes de chapéu, outras de turbante; vezes ainda, enquanto apanhamos umas belas ondas na Foz, ao sol e à chuva...




Foto daqui

Quando o encontro, o motivo de conversa é quase sempre o mesmo... E sabem o que é que Ele me diz? «Vocês perceberam tudo ao contrário. É uma pena!»

8.4.09

PCS!!!

Depois do comentário da camarada bloguista Jubylee, e deambulando por um dos seus cantos "virtuais", tomei conhecimento de mais um partido político português: o PCS - Partido da Completa Sinceridade.










Não se consideram "mais nem menos" que todos os outros partidos políticos já existentes.
Porém, praticam a sinceridade acima de tudo.
Enquanto uns fazem campanhas pela honestidade, mas engordam contas na Suíça, eles assumem que são oportunistas, interesseiros e abusadores da confiança do seu eleitorado.
Aliás, o seu lema é: "Somos tão maus como os outros, mas admitimos."
Conheçam mais sobre o PCS em: http://inepcia.com/pcs/ ; a Apresentação Oficial, as Bases, a Ideologia e o Projecto.
Para que o sonho destes Sinceros seja realidade, é necessário a recolha de assinaturas - quantas mais melhor! De forma a que o partido seja reconhecido e oficializado pelas instâncias legais.
Depois de estudarem os prós e contras, e caso se identifiquem com a corrente de pensamento, podem assinar a petição do PCS aqui.
Eu já fiz o meu dever cívico. O meu apoio está garantido!
Só falta saber se me aceitam para os "corpos sociais"?

Depois de 35 anos de mentiras, falsas esperanças e oportunismo dissimulado, alguém que assume as suas verdadeiras intenções, é uma raridade a todos os níveis, uma lufada de ar fresco.
Se com gente "honesta e integra" estamos da forma como se vê, porque não dar uma oportunidade aos outros?



PCS!!!

PCS!!!

PCS!!!

7.4.09

No pó dos Candelabros

Recebi ontem um comentário a um post antigo, que me fez ter vontade de dizer uma ou duas coisas.

Antes de mais, fiquei surpreendidíssimo que alguém tivesse tido a pachorra de ler este blog.
Mais surpreendido fiquei, pelo facto de "esse alguém" (visto que não se identificou) ter sido arrojado ao ponto de ler as coisas que estão para trás, as mais antigas.
Eu nunca tive essa paciência. Nem mesmo com os blogs de gente amiga ou, de alguma forma, próxima. Portanto, admiro quem lê um blog como um livro, um diário. O que me faz sentir, ainda mais, o peso da responsabilidade em tudo o que escrevo. Não tanto no conteúdo, porque as ideias aqui expressas são muito minhas e não temos de pensar todos da mesma maneira, mas da forma como as exponho. Ou seja: tentar a todo o custo escrever bem a maior riqueza que detenho, a minha língua: Português.



Se as ideias e reflexões são boas ou más; se o saudosismo por tempos idos é tão latente que irrita alguns (nem só de grunje palpita o meu peito, Hendrix, Led Zeppelin, Bach, Verdi, Aznavour, Brell, Buarque, Vinicius, Zeca, Amália, Fausto, etc, estão cá todos); se a minha vénia é para quem sentiu verdadeiramente o pulsar autentico do sangue nas veias; para quem amou, quem odiou, quem quis, quem tomou posição e quem experiênciou; devo ser condenado por isso?
Sei reconhecer o "génio" quando estou perante um.
Sei apreciá-lo, engrandecê-lo e destacá-lo!
Porém, tenho as minhas directrizes bem definidas para aclamar alguém de "génio".
Não o faço - recuso-me e recusar-me-ei sempre a fazê-lo -, tendo como base o léxico dos outros, o que a televisão nos impinge pela MTV, ou pela palavra, para muitos sagrada e intocável, de alguns críticos de opinião da nossa praça, fazedores de "génios" a metro - e detentores da balança diferenciadora do "bom" e do "mau"; muitos deles sem nunca terem composto um pequeno trecho de duas notas, pintado um quadro ou escritos três linhas, sem ideias pré-concebidas ou formatadas.
Acredito piamente, que até para se recauchutar é necessário ter o talento e a arte necessária para o efeito. Caso contrário, haveria razão para a existência do Karaoke?

Vivemos tempos de mudança.
Não entanto, sente-se no ar a necessidade de conteúdo, de matéria, de alma e coração verdadeiros, em tudo ao que ás expressões artísticas diz respeito.
ARTE, SENTIMENTO e LIBERDADE estão em défice.
Alguém se sente verdadeiramente livre?




Chega de banalidade!
Os "artistas" têm de voltar a encarar a sua arte como uma arma de acção, de intervenção, de atitude e de tomada de posição.
Os tempos do centralismo e da neutralidade estão moribundos, fétidos.
A música, a dança, a pintura, a escultura, a escrita, o cinema e o teatro, têm forçosamente de inverter as suas crenças e directrizes. Voltar ao início! Regressar ao mais puro dos impulsos, ao mais alvo dos caminhos; sem segundas intenções, sem objectivos pré-definidos, sem discos de platina ou best-sellers no horizonte.
Caso contrário, não será o sobre-aquecimento da Terra, a escassez de água, as epidemias ou um meteoro a extinguir a nossa raça, mas sim o mais vil dos vírus pelo homem inventado: a apatia!

"Anónimo": Muito obrigado pelo teu comentário.

6.4.09

Não há Meninos Maus, há é Meninos Mal Educados!



Esta realidade parece-te demasiado cinematográfica para ser verdadeira?
Pois, mas a verdade é que ela existe e é bem real.
Pode até, inclusivamente, estar a passar-se do outro lado da tua rua; ou mesmo do outro lado da parede.

Donativos para causas como esta deixam-me sempre apreensivo.
Perdoem-me se não acho especialmente "voluntário" o facto de alguém receber, se quer, uma ajuda de custo, para trabalhar em prol da mais elementar das ideologias: o bem estar do meu semelhante.
Como, na maioria dos casos, com conversa, calmantes e providências cautelares, a coisa não se endireita, passemos à acção!

Se tomares conhecimento de algum **lho da Pu** que goste de molhar a sopa na esposa, reune meia-dúzia de amigos solícitos e oferece ao rapaz um tratamento de pele, à base de pau de marmeleiro.
Estarás a ajudar voluntariamente o próximo e, como esforço físico de elevado rendimento, a aliviar enormes camadas de stress. Para além de abateres o peso dessa oleosa e sedentaria barriga de cerveja.
Convenhamos, é uma actividade que promove a entre-ajuda e o companheirismo! Algo que até vai faltando nos tempos que correm.
Como vês, é só vantagens!

Deixemo-nos de merdas e, de uma vez por todas, tomemos atitudes!

http://www.womensaid.org.uk/

2.4.09

Fim do Mês... lá vou eu outra vez!


Perdi a cabeça.
Depois de tanto tempo “bem comportado”, a controlar gastos supérfluos (a minha barba, se bem que sem a alvície, assemelha-se já à de um Druida gaulês, intrépido e irredutível, embrenhado nas suas poções mágicas), decidi oferecer um presente a mim mesmo: O DVD “Pearl Jam ao vivo em Santiago” – Chile, gravado em 2005.
Eddie e sus muchachos estão mais velhos, é claro; com rugas, nos quarentas; mas continuam portentosos! Não falha nada.
Mesmo que em determinadas alturas se note desbunda a mais ou até, quiçá, um pouco de excesso nas jam’s e interlúdios, o registo enche as medidas e a saudade (admira-se e inveja-se como, ao fim de tantos anos, estes gajos continuam a ter um prazer enorme em estar em cima do palco, além de se perceber perfeitamente que continuam a gostar imenso de tocar juntos – sente-se bem essa energia). No fundo, o verdadeiro espírito “Grunje” é e sempre foi o da comunhão e partilha. Está tudo lá!

Estive presente no primeiro dos dois dias de espectáculo dos PJ(em finas de 90), aquando da primeira visita da banda a Portugal, no saudoso Pavilhão “Dramático de Cascais”; estive lá na noite em que o doido do Vedder se atirou do topo do PA, à minha frente, num inesquecível stage dive, para as mãos do público; enquanto duas mil e tal gargantas gritavam o refrão do “Porch”: Hear my name , take a good look… This will be the day…

Muitas das canções que me marcaram a adolescência, de camisa aos quadrados à cintura e Doc Martin’s nos pés – a sonhar com o Rock n’ Roll-, ainda ecoam na minha cabeça, depois de mais de uma década passada.
Este “miminho” não defraudou as expectativas.




Neste fim-de-semana regresso ao estúdio.
Concentrarei as minhas forças para que se consiga uma boa linha de baixo para mais um tema "vulgar"...

Hasta!

30.3.09

Confissão

«São duas as mãos;
Duas as feridas abertas de paixão
que encerro em mim...
Não me permito fechá-las!
Acarinho-as;
Renovo-as;
- Volto a sangrar...

Como um sol amarelento,
pela saudade,
pela volúpia,
desbasto a lâmina;
Concentro-me na unidade indivisível:
- O ser!
O meu ser... Louco!

Serão suficientes as chagas?
Serão razoáveis as intermitências?

A lâmina aguarda,
fria,
presente.
Como uma sombra
que nos acompanha na luz;
Como um parasita que possui,
sem medo ou pudor,
no negrume e na paz;
Aguarda:
-Fria;
Presente...

Duas apenas?
Não.
Mais,
Muitas mais...

Porque me falta a paz do pó,
da terra;
Porque me sobra em bruto os dedos,
plenos de vida,
soberbos de amor;
Porque me queima as pálpebras,
este Sol Ambíguo,
falso:
- Primavera de olheiras...

São duas as vontades,
esgotadas de vida,
cansadas de morte.
E por isso,
Sangram...
Alegra-me que o façam;
Assim acredito (ao minuto)
que a seiva morna,
berrante,
as adormeça...
- Para sempre.»

20.3.09

Acústica Estudio

«A quem possa interessar:Estou de volta ao estudio.O objectivo é gravar "a sério" o que puder e o que o 'low budget' permitir. Hasta.»



Lder JP Santos in Twitter.com

5.3.09

Boards, Salários de Euro-deputados e Música de Merda!


Será um sinal?
Será uma força transcendental que me tenta abrir os olhos pela força do tabefe?
Será mais uma dica vinda de “cima”: «Pá, olha que estás errado! Pensei que já tinhas percebido… Tantos foram os “toques” que te dei em relação aos teus arrufos… Não julgava necessário ser mais incisivo mas, posso sê-lo! Basta que, após este recente e recorrente click, ainda permaneças fiel à idiotice patética de continuar a insistir….».

Ok…
Rendo-me.
Ponto final. Parágrafo…
Não voltarei a cometer o erro de querer abrir-me ao mundo.

Nestes últimos tempos, foram demasiadas as contrariedades, para que a vontade de ambicionar a vanguarda permaneça intacta. Estava a saltitar nas nuvens, bem sei…
Génio é quem tem o poder na carteira. E a Genialidade também se compra.
Dúvidas?

Chega. Finitto !!!
Por “A+B”; por “C+D”; primeiro a falta de verba, depois a deterioração da logística; os entraves foram-se sucedendo (um muito obrigado ao meu “Mano mais Velho” e ao solícito Nelo, mas o “bicho” não funciona, seja de que maneira for). Ao ponto de caminhar para uma loja da especialidade, para aí, umas cinco vezes... Três das quais, praticamente, consecutivas.

Tentei até onde a minha disponibilidade financeira e mental suportou, mas o meu “tudo” falhou.
Não tenho como voltar a tentar.
Falta-me a anímica e a outra força também…
Estou cansado de tanto revês.

Obrigado aos que apoiaram.

Obrigado aos que não gostaram... E, acima de tudo, muito, mas muito obrigado mesmo, a todos os que fizeram troça e me desejaram o pior ou o menos bom.

De certa maneira: Wish granted! As vossas Bad Vibes surtiram efeito. Hope you’re happy

O objectivo deste Blog foi (tentar) abir portas. As minhas e as vossas…
No fundo, as portas de todos quantos quisessem partilhar, experênciar, viver e, acima de tudo, sentir – pelo pleno prazer e natureza de sermos humanos.
Seu grande safardana! Além de um ambiciosito de ***da, com sabor a ranço, ainda tinhas a mania que o idealismo é viável... Com que então Ser Humano - Banana!


Pelos vistos, sê-lo não é muito bem visto pela sociedade moderna.

parecê-lo é coisa que está vulgarizada, estereotipada e é "normal" - além de dar um jeitão dos diabos para subir na carreira, no posto; aparecer na televisão e ser reconhecido no super-mercado - entre batatas e cebolas.


Para a maioria dos habitantes deste berlinde deprimente a boiar em maionese azeda, sê-lo é idiotico.
Pois bem, este “idiota” rendeu-se às evidências… E com ele, também este espaço .


Refugio-me no meu casulo...
Sê-lo-ei, como sempre.


Não haverá mais posts neste blog durante os próximos tempos (largos…).



Perdão aos que me querem bem e um (sentido) abraço aos "outros".

3.3.09

"Pós e Sombras"

Ontem era suposto ter escrito qualquer coisa... Não houve tempo.
Hoje, consequentemente, e em jeito de desculpa, escreveria um texto com pés e cabeça. Algo de realmente interessante, para os (poucos mas do peito) que ainda têm a paciência suficiente de me "seguir" via blog...
Porém, falta-me a vontade. Não me apetece!
Prefiro sujar este espaço com um pouco de "pó animalesco". Gosto de apelidar assim aquela sujidade que se acomula nas prateleiras da nossa memória e, por mais que se limpe, todos os dias ou todas as semanas, nunca desaparece verdadeiramente. Basta mudar o ângulo de visão e lá está ela de novo.

Na vida, por mais que se atalhe nas resoluções de problemas pendentes, assuntos ambiguamente resolutos ou decisões "acertadas" que tardamos em tomar, parece que fica sempre algo por dizer, por fazer, por decidir. E decidir custa tanto...

Como uma velha lesão - uma lembrança -, a "poeira" da memória volta sempre às nossas prateleiras. Por muito que se limpe. Por muito que se "arrume".

Nada a fazer.
Vou deixar o pò à mercê da pendular sublimação das horas, dos dias... Anos. Metamorfosear-se, levianamente, numa base consistente, adubante e fértil para a multiplicação de fungos reminiscentes.
Se todas as dores, sorrisos, beijos e cansaços fazem parte de nós, que seja a poeira a cobri-los; a envolvê-los no manto espesso do tempo, suavizando-lhes as formas e as arestas...
É certo que vão estar sempre lá, mas talvez, quem sabe, absorvidos pela harmonia das partículas poeirentas, passem imobilizadamente neutros aos nossos olhos; sempre que tivermos de remexer em papelada vária... Por exemplo, pela altura da entrega do modelo 3 do IRS.

26.2.09

Dexter

Dexter Morgan, membro do departamento forense de uma divisão policial americana, e com um código "ético" muito restrito, é o antípoda do herói justo e estereotipado das séries habituais na televisão.
Fruto de uma infância marcada pelo assassinato brutal da sua progenitora, Morgan canaliza o seu ímpeto natural para matar em direcção a criminosos que escapam, pelas mais variadas razões, ás malhas da justiça.
Aparentemente um cidadão exemplar, Dexter, perito em analisar cenários de crimes, utiliza todo o seu conhecimento científico em prol do "código" e da sua execução minuciosa.
Violadores, assassinos, pedófilos e outros derivados que, por algum motivo processual, de investigação ou de instrução, se esgueirem ás teias da lei, são meticulosamente rasurados da acta de "pessoas vivas". Porque, convenhamos, qual é a reinserção possível e justa, por exemplo, para um homem que violenta sexualmente, de forma reincidente, uma ou várias crianças de dois e três anos!? Ideias?
Quem teve oportunidade de ver a primeira série de episódios no Canal 2 da RTP, há pelo menos um ou dois anos atrás, ficou viciado com certeza – tal como eu fiquei! E vociferou raios e coriscos quando, sem explicação aparente, as séries seguintes não despertaram o mesmo interesse na direcção da Rádio Televisão Portuguesa (nas Américas a quarta temporada será exibida em Outubro deste ano).
«Matar é errado.» De acordo.
«Ninguém tem o direito de tirar a vida a outro ser humano, seja por que razão for!»... Bom, depende. Tenho uma consciência, possivelmente, demasiado liberal para seguir esta máxima à risca. E talvez por isso a série "Dexter" me tenha agradado tanto.
Humores negros e astúcias à parte, este psicopata é um fofo. É impossível não nutrir uma titânica admiração por ele. Bem como não torcer, de episódio em episódio, para que o "justo" - que neste caso até mata e desmembra - chegue ao fim de mais um novelo de peripécias incólume.
Sempre adorei anti-heróis e não posso deixar de transpor para "Dexter" uma nesga do que vai faltando nas sociedades de hoje: verdadeira justiça.

Ao ver como certos "intocáveis" se passeiam de nariz no ar, pela rua, depois de terem destruído a vida a muita gente, arrependo-me de não ter tido outro aproveitamento nas aulas de biologia e química; de não ter concorrido para o departamento forense da Polícia Judiciária; de não poder forrar um quarto a plástico e "dar asas à imaginação" no corpo de um child molestor qualquer, e pô-lo ao sabor da corrente Atlântica, uniformemente distribuído em cinco ou seis sacos de plástico.



A primeira, segunda e terceira séries, já estão disponíveis para donwload ilegal na internet.
Só me falta vazar um olho e serrar uma perna, para ser um verdadeiro saqueador de naus...

25.2.09

A braços...

Coisas de outros tempos, doutros dias e de muitas horas... Na estrada, no chão, no suor.

Há coisas na nossa vida que podiam ter sido tudo. Ou pelo menos muito mais do que foram! Porquê? Não sei - talvez não queira saber.
As razões porque não cresceram? Há tantas...
Fica a certeza que demos tudo, enquanto pudemos dar.













Um mail de um bom e "velho" amigo, fez-me lembrar que o Mundo dá demasiadas voltas para meu gosto.

De tanto girar, mais tarde ou mais cedo, quer queiramos quer não, acabamos sempre por tornar a pisar os mesmos passos... Os nossos e os dos outros.





Um grande, grande abraço ao Helder... ini "Frater Carolícius" Rodrigues; ao Manel "Mohicanno" Joaquim; e ao Ernesto "Mãe Caca" Soares.

23.2.09

Incha... Animal!

Recebi na quinta-feira (19-02-2009) um mail que me agradou. Pela honestidade, pela imparcialidade e pelo respeito.
Há uns tempos atrás, enviei as minhas demos ao "senhor rádio" da Antena 3: Henrique Amaro.
Algumas semanas depois, quis saber sobre elas e questionei-o acerca da possibilidade de virem a ser divulgadas no programa "Portugália" (de sua autoria) no ar, na referida estação emissora (A3 - 100.3 Mhz FM/Lisboa), todos os dias entre as 22 e as 23h.
Finalmente, chegou a resposta:
«Caro Lder, ouvi com toda atenção os temas que envias-te; reconheço a sinceridade e o esforço com que foram gravados mas, não encontro afinidade com o meu gosto e com o programa que dirijo na Antena 3.
Faço votos de frutífero trabalho criativo e no teu futuro musical.
Boa sorte, Henrique Amaro»

Desanimado? Não, nem por isso.
Agradeço ao Henrique Amaro a disponibilidade e a escuta atenta do meu trabalho. O tempo que dispensou a prestar-me atenção e a responder-me, já foi o suficiente para que me sinta lisonjeado.
Talvez haja quem pense o mesmo que o Henrique:
«Devias é estar sossegadinho pá, que os arrotos pseudo-musicais que disponibilizas na net são uma bela ***da!»
«Poder ser que com a opinião de quem, realmente, percebe da coisa, te deixes dessas manias que és "artista" e que tens "cenas" para mostrar; que és vanguardista e mais não sei o quê... Ó Artolas!!!»
«Quem quer ser alguma coisa no panorama musical de qualidade, desta trampa de País, tem de passar na bitóla do Amaro. E se tu não passaste queres o quê, milagres?»

Realmente, ao fim de tantos anos, de tantas tentativas e de tantos projectos (dos Serpente Utópica, Main Chain of Flies, Shedbone e Big Spin Throtle, às bandas de bares/covers, de que já nem me lembro o nome; dos castings perdidos à partida, ás participações fugazes em programas musicais de televisão; das prestações nos coros do disco "deste" e "daquele", ás colaborações com "grandes nomes" da música portuguesa - que nunca chegaram a avançar; das mais recentes aventuras: Plageo e Molla, que não passaram de meros rascunhos - Plageo, talvez, a "ideia" com mais projecção de todas, até aos dias de hoje, mas que morreu por choque de egos e ideias-, até esta nova investida em nome individual ) talvez fosse a hora certa para me deixar de ***das, e largar de vez esta mania de " ter coisas para dizer... de sentir... de tentar traduzir em "psedo-arte bacoco-medíocre" o meu interior mais críptico!

Vou abrir uma garrafa de tinto-sangue...
Depois dou notícias.

20.2.09

Bill Hicks... O Profeta! (part. 5)

Encerro aqui a singela homenagem ao falecido stand-up comedian Bill Hicks.
Possivelmente, para muitos, despropositada... «Mas que raio de fixação que este gajo tem pelo homem, apre!».
Não faz mal. Não me importo. O blog é meu, que diabo! Faço com ele o que bem me apetece.
A menos que o Ministério Público também mande instaurar, devido a queixas "anónimas, uma providência cautelar a este espaço virtual. E que, por gonorreica demência constitucional de um qualquer magistrado quadrúpede, seja encerrado ou desvirtualizado. Caso a ordem e os "bons costumes" não sejam "a pedra basilar da sua conduta"...
Sobre isto, e tendo Hicks como mestre, digo: Que se **dam os magistrados; que se **da a constituição e as leis; que se **da a ordem, os bons costumes e seus púdicos/podres defensores.

São homens como Hicks que deviam fazer a diferença.
Deveria ser em homens livres e "exacerbados", como ele foi; de extremos e de justiça, como vivia; de coração ao alto e mente aberta, como fez questão de pautar a sua curta existência; que a raça humana deveria ter sido forjada.

Bill Hikcs, o príncipe "negro" das palavras soltas, estará sempre bem presente na minha memória.

19.2.09

Bill Hicks... O Profeta! (part. 4)

Pouco antes de morrer, já bastante debilitado pelo cancro no pancreas que acabaria por o levar desta vida, precocemente, aos 32 anos, e sem que ninguém o soubesse na altura, Bill surge de novo num programa de televisão de referência: o "Late Night Show" de David Letterman.
Hicks sempre fora, de tempos a tempos, uma presença marcante no talk show da CBS. Foram varias as participações neste programa.
Apesar dos conteúdos polémicos que abordava nos sets de stand-up, nunca viu as suas performances serem razuradas por "lápis azuis", nem nunca alterou uma palavra, por pressão exterior, aos seus textos, para que fosse "televisionantemente" aceite.
Estranhamente, nessa ultima aparição na CBS, Bill Hicks é censurado pela equipa de produção do "Late Night Show" - inclusivamente pelo próprio Letterman. ~
O conteudo do act é considerado demasiado ofensivo para a comunidade católica.

Atónito, e após o visionamento do programa, constatando a censura bárbara à sua prestação, Hicks endereça um manuscrito de 32 páginas ao director da estação televisiva, demostrando a sua indignação por tamanha injustiça e desrespeito.

No início deste ano, David Letterman redimiu-se do erro grosseiro e da atitude chauvinista de então.
Convidou a mãe do comediante para a sessão do passado dia 30 de Janeiro, pedindo-lhe publicamente desculpa pela atitude irreflectida e por tamanha injustiça. Emitindo de seguida, na integra, o set de Bill Hicks censurado na altura...

Foi reposta a verdade... Tardiamente, é certo, mas antes assim.