20.10.09

A Cidade dos Sonhos

« Chegaste como uma brisa...
Acocoraste-te no peito desta Cidade de sonhos dormentes,
e adormeceste num sono leve e quente...

A Cidade parecia querer beijar-te,
a cada passo,
a cada sorriso;

Um lume de arder punjente...

Escorria nela o sonho dos teus passos,
do teu cheiro...

Chegaste como uma brisa,
e agora és vendaval;

Emoções que cavalgam descontroladas
ao sabor do sangue que ferve,
as entranhas do mais profundo desejo
amordaçado pela razão - a demência;

Mas não é esta a Tua Cidade..
A que te abraça,
a que te aconchega os anseios,
te demove dos medos,
e te lança na aventura de mais um dia
de passos certos e sorrisos apressados;

A Cidade dos Sonhos -essa- persiste...
E nela serás sempre um lume,
de arder pungente;

E a cada passo,
a cada sorriso,
ela vai de novo querer beijar-te...
Pois o teu cheiro há-de morar nas suas ruas,
nos seu becos,
nas suas portas e janelas,
na sua alma,
para sempre...

Basta tu quereres voltar.»

19.10.09

Revivências

Continuam a haver sentimentos em mim que insistem e persistem...


«Estou distintamente vivo.
E vivo na distinção de morrer a cada momento de alegria,
nesta vida cheia de nada.
Estou distintamente vivo
e confesso que até dói,
quando me atiram à cara que o mundo morre a cada dia,
Se sou eu que morro e ninguém nota.
Estou distintamente vivo.
Já nada me detém de viver.
Nem a curva apertada,
nem a faca afiada da noite que me procura...
sempre.
Estou distintamente vivo
e sei-o tão bem.
Tão bem que me apunhá-lo a cada passo...
e não sangro.
Logo,
Estou distintamente vivo!
É a vida que me mata.
Se na morte me saudar,
Se na morte me recolher,
Se na morte adormecer,
Niguém mais,
Nunca mais
me vai poder matar...

Estou distintamente vivo.
Só me falta respirar...

Lder JP Santos »


Algures em 2006...

14.10.09

Quem és Tu?

«Sou demasiado permissivo.
Deixo que me destapem sem perguntar o porquê de semelhante acto… Está frio, mas eu não questiono.
Dou-me demais. Talvez porque dar seja o meu maior vício. Dar é como ar, oxigénio, sangue.
A entrega assusta-me, mas o susto incapacita-me a negação. Por isso, deixo-me embebedar pelos sentidos, esqueço a razão e parto à descoberta.
Redescubro-me nos outros e estremeço a cada passo, mas sou incapaz de recuar.
Invisto sozinho. Luto contra adversidades titânicas. A cada golpe arregaço as mangas, para que possa sangrar mais e mais… Como uma purificação masoquista, redentora, de uma fome que não entendo.
De poros abertos, de peito escancarado, recebo demais… Permito demais.
O divino embriaga-me.
Estonteia-me a simplicidade levianamente bela com que a natureza te criou. Como um lago verdejante, recheado de sensações puras e avassaladoras... E eu mergulho cada vez mais fundo, sem medo da apeneia impreparada, louca, primitiva…

Adormeço de cansaço. E lá no fundo, na paz de um acordar ainda ébrio, no silêncio do teu regaço, a paz… Apenas e só a paz me é oferecida como verdadeiramente minha.»

1.10.09

"Telemovisses"

Operador: Espero tê-la esclarecido.
Cliente: Sim, sim. Completamente. Muito obrigado mas, não estou interessada...
Operador: Posso ajudá-la nalguma questão?
Cliente: Não...
Operador: Então muito obrigado pelo seu tempo e 'até já'!
Cliente: Então, mas vais ligar outra vez é?
Operador: aahhhmmm... Não! Errr... hum, aaahhh... Obrigado, um bom dia e com licença.

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