25.11.09

À Flôr de mim...

O toque... a pele... sempre a pele... como um sopro... um sussurro... alguma coisa que nos sai pelos póros sem que se queira... a pele... sempre a pele... a tua pele... macia como seda... alva de sorrisos... ânsia de sentidos... no bater... no bater... no teu peito sempre o bater... o toque... a pele... sempre a pele... à flôr de mim...

20.11.09

Brandura

Tão doce
o teu sorriso...

Como um banho de petúnias,
rosas,
canela e alecrim;

Um adeus que se agiganta
na permissa do regresso,
- imenso -,
que se quer
breve...

Na tez
alva,
bailam querubins
sorrindo,
brincando no teu peito,
nos teus cabelos de fogo;
num jeito de ser
não sendo,
num jeito de querer,
não querendo...

Os dias são mais longos que a própria vida
E ela não se detém,
para te olhar,
para te sorver,
Para te dar de novo as telas,
em branco,
para que possas pintar tudo outra vez
em verdes mantos,
e espalhá-las pela cidade
como um fruto maduro e fresco,
abrindo a alma e os sonhos
-outra vez -,
de rua em rua,
de sombra em sombra...

É tão doce
o teu sorriso...
Um banho de petúnias,
rosas,
canela, alecrim...

No acre da penumbra,
No tojo da memória,
uma luz que sobranceia
o dia, a noite
a maldita noite que nos ama tanto,
essa irmã fugitiva,
... a tua luz,
... o teu gesto,
de querer - sem mais;

Num fio de brandura
a tua luz permanece...







17.11.09

Como dantes...


Podia dizer-te já que "sim",
Podia contar-te mil e uma estórias,
Podia abraçar-te e devorar-te num ápice,
Podia tomar-te pelas ancas e amar-te,
Já...
Agora...
Aqui!

Mas os rugidos já não ecoam nas paredes
As sombras pararam de dançar
E o silençio ensurdece...

Podia querer-te como dantes

Mas já não seria a mesma coisa....

16.11.09

DesarRumos

Recentemente chegada a estas coisas de "blogar", o vosso carinho e atenção ao blog da minha amiga Olga Nabais: DesarRumos

13.11.09

"SYRAH"

É no fumo que te encontro,
alma perdida
É neste rasto de incerteza que te abraço

Só no espesso bailar da cinza,
queimada a cada trago,
saboreio a tua ausência
A consciência de ti...

É no fumo que te encontro
Por não saber quem és,
doce melodia

É nesta sobra de memória que me aconchego
- pouco mais resta para abraçar
As lembranças,
apenas as lembranças...

As mãos entrelaçadas como teias,
as bocas unidas numa aflição,
porque o momento urge,
porque daqui a pouco nada mais vai restar...

É no fumo que te reencontro,
alma perdida
Onde estavas?

Os passos não te chegam...
Os trilhos não se abrem...
Mais um sorriso para o caminho
Mais um abraço para matar

É no sono perdido,
no capitular desmedido,
que te oiço cantar
Longe,
tão longe...

É aqui que te encontro,
alma perdida...
Aqui,
onde estou
agora,
onde sempre hei-de estar...

12.11.09

Barrosidades


O ser humano não pára de me espantar.
A sua capacidade inacta de ser perverso e dissimulado, aproxima-me cada vez mais dos meus "parentes" irracionais.
Todos temos receios.
Tememos o que desconhecemos instintivamente e, muitos de nós, entregamos certezas em bandejas decoradas a fitas coloridas e aromas inebriantes. Para que sejamos aceites, compreendidos e amados na nossa estranheza de sentir, reagir ou remoer.
Homens e Mulheres - por estes dias um conceito ambiguo -, respiram, amam, desejam, morrem ou sorriem a espasmos.
Aprende-se por osmose, mas ensina-se por catarse, na terceira pessoa, resguardando e filtrando a essência do que se transmite no medo puro e simples de ser-mos desmacarados.
Quando cai a popeline , quando cai a capa, quando a chuva nos encharca até aos ossos ao ponto de a prória alma sufocar, apenas nesse momento se desfazem os nós, como uma escultura de açúcar aquecida pelo bafo acre da verdade incontornável.
Porque a verdade o é! Porque a verdade não deixa nunca de ser: incontornável!

Insistimos na mentira, na ilusão...
Porque é tão mais fácil fingir que se dá, do que dar verdadeiramente.

Acredito que somos o rascunho, parco, de uma obra maior. Muito maior! Perdida, algures, na oficina de um mestre oleiro... E o barro está seco, quebradiço...
Cuidado!

11.11.09

Detrito

«
Não posso voltar abrir o meu peito...

É necessário que o feche,
que o encerre para sempre num poço profundo,
que o tape com muita terra,
ervas e arbustos,
para que ninguém o encontre,
para que se confunda com a solidão,
as plantas,
a humidade e o gelo das manhãs frias...

Não posso voltar a deixar
que ele pronuncie uma palavra que seja,
que te abra a porta dos meus sonhos
e te deixe entrar como uma brisa,
que permita o teu sopro dentro de mim,
ou que te embale com as minhas canções de palhaço pobre...

Não posso oferecer-te de novo,
sem receios,
o que de mais puro há em mim...
para que tu o consumas alarvemente,
e despejes o que sobra,
como sobra,
num canto qualquer desta cidade imunda...
Mero detrito sem importância...


Não posso querer-te como quero,
tão despreocupadamente,
tão louca, estupida, infantil e 'deliciosamente',
ao ponto de sombrear a tua indiferença
com cores berrantes e caras,
para que me iluda mais um dia,
mais um pouco...

Não posso dar-te o meu sangue...
Ferve demasiado pelo teu toque,
lascivo, demente...
E não posso dar-te mais de mim,
porque me perco uma e outra vez,
a cada dádiva,
a cada passo,
a cada abraço,

Não posso.
Não posso,

... não posso!
»

4.11.09

"Lembra-me um Sonho lindo... Quase acabado"

É um dos poemas mais sensuais que já li. Tão simples, tão puro, tão carnal e tão terreno, apesar da sua quase que pueril simplicidade.
A fome de alguém por outro alguém... A prisão e extase da emoção de um toque, um respirar profundo...
Com todo o seu mau feitio, que é bem do conhecimento público, Fausto Bordalo Dias (o cantor maldito) teve o descernimento perfeito para, num rasgo de genialidade, cravar na roda do tempo uma das mais perfeitas leituras, na minha opinião, sobre a paixão e desejo puros...
«Lembra-me um sonho lindo
quase acabado,
lembra-me um céu aberto
outro fechado
Estala-me a veia em sangue
estrangulada,
estoira num peito um grito,
à desfilada
Canta rouxinol canta
não me dês penas,
cresce girassol cresce
entre açucenas
Afoga-me o corpo todo
se te pertenço,
rasga-me o vento ardendo
em fumos de incenso
Lembra-me um sonho lindo
quase acabado,
lembra-me um céu aberto
outro fechado
Estala-me a veia em sangue
estrangulada,
estoira num peito um grito,
à desfilada
Ai como eu te quero,
ai de madrugada,
ai alma da terra,
ai linda,
assim deitada
Ai como eu te amo,
ai tão sossegada,
ai beijo-te o corpo,
ai seara,
tão desejada »
Se não corelacionam as palavras ao tema, eu dou uma ajuda:

3.11.09

Sublime!

É bem possível que já tenha postado, algures no passado, esta canção aqui, neste meu pequeno "quarto" virtual... Mas como o que me toca cá dentro nunca me cansa, aqui está:



Será preciso dizer mais?