do pouco que dou de mim...
A vida não merece a minha morte,
Tão pouco a morte me merece também.
Sobra-me tanto...
Em tempo,
Em tempo,
cura,
lamento e sorrisos;
Sobra-me o que não permito que a alma amordasse,
sobra-me o que a boca não verbaliza,
num pudor sonífero,
na dormência...
A manhã que me sobra,
alimenta a noite de excessos;
E sobram-me as horas para outro dia,
outro excesso;
Outro exercício de amargura momentânea,
bulindo palmas,
pernas e braços,
na sobra epilética da racionalidade indusida;
O que me sobra são dias e anos...
Faltam-me as horas,
os minutos, os segundos;
Os espasmos das promessas felizes,
que a cada sobra
perpetuam os restos,
os incomensuráveis restos
onde insistimos na leviandade da certeza,
que o que sobra é bom,
que o que sobra é a verdadeira alma da existência terrena;
Mas são mais as sobras permanentes
que tudo o resto;
Tudo o que fechamos em arquivos de fumo...
Tudo o que fechamos em arquivos de fumo...
E basta uma brisa
para que tudo seja,
de novo,
uma atroz sobra de revivência.