14.10.09

Quem és Tu?

«Sou demasiado permissivo.
Deixo que me destapem sem perguntar o porquê de semelhante acto… Está frio, mas eu não questiono.
Dou-me demais. Talvez porque dar seja o meu maior vício. Dar é como ar, oxigénio, sangue.
A entrega assusta-me, mas o susto incapacita-me a negação. Por isso, deixo-me embebedar pelos sentidos, esqueço a razão e parto à descoberta.
Redescubro-me nos outros e estremeço a cada passo, mas sou incapaz de recuar.
Invisto sozinho. Luto contra adversidades titânicas. A cada golpe arregaço as mangas, para que possa sangrar mais e mais… Como uma purificação masoquista, redentora, de uma fome que não entendo.
De poros abertos, de peito escancarado, recebo demais… Permito demais.
O divino embriaga-me.
Estonteia-me a simplicidade levianamente bela com que a natureza te criou. Como um lago verdejante, recheado de sensações puras e avassaladoras... E eu mergulho cada vez mais fundo, sem medo da apeneia impreparada, louca, primitiva…

Adormeço de cansaço. E lá no fundo, na paz de um acordar ainda ébrio, no silêncio do teu regaço, a paz… Apenas e só a paz me é oferecida como verdadeiramente minha.»