20.10.09

A Cidade dos Sonhos

« Chegaste como uma brisa...
Acocoraste-te no peito desta Cidade de sonhos dormentes,
e adormeceste num sono leve e quente...

A Cidade parecia querer beijar-te,
a cada passo,
a cada sorriso;

Um lume de arder punjente...

Escorria nela o sonho dos teus passos,
do teu cheiro...

Chegaste como uma brisa,
e agora és vendaval;

Emoções que cavalgam descontroladas
ao sabor do sangue que ferve,
as entranhas do mais profundo desejo
amordaçado pela razão - a demência;

Mas não é esta a Tua Cidade..
A que te abraça,
a que te aconchega os anseios,
te demove dos medos,
e te lança na aventura de mais um dia
de passos certos e sorrisos apressados;

A Cidade dos Sonhos -essa- persiste...
E nela serás sempre um lume,
de arder pungente;

E a cada passo,
a cada sorriso,
ela vai de novo querer beijar-te...
Pois o teu cheiro há-de morar nas suas ruas,
nos seu becos,
nas suas portas e janelas,
na sua alma,
para sempre...

Basta tu quereres voltar.»