12.11.09

Barrosidades


O ser humano não pára de me espantar.
A sua capacidade inacta de ser perverso e dissimulado, aproxima-me cada vez mais dos meus "parentes" irracionais.
Todos temos receios.
Tememos o que desconhecemos instintivamente e, muitos de nós, entregamos certezas em bandejas decoradas a fitas coloridas e aromas inebriantes. Para que sejamos aceites, compreendidos e amados na nossa estranheza de sentir, reagir ou remoer.
Homens e Mulheres - por estes dias um conceito ambiguo -, respiram, amam, desejam, morrem ou sorriem a espasmos.
Aprende-se por osmose, mas ensina-se por catarse, na terceira pessoa, resguardando e filtrando a essência do que se transmite no medo puro e simples de ser-mos desmacarados.
Quando cai a popeline , quando cai a capa, quando a chuva nos encharca até aos ossos ao ponto de a prória alma sufocar, apenas nesse momento se desfazem os nós, como uma escultura de açúcar aquecida pelo bafo acre da verdade incontornável.
Porque a verdade o é! Porque a verdade não deixa nunca de ser: incontornável!

Insistimos na mentira, na ilusão...
Porque é tão mais fácil fingir que se dá, do que dar verdadeiramente.

Acredito que somos o rascunho, parco, de uma obra maior. Muito maior! Perdida, algures, na oficina de um mestre oleiro... E o barro está seco, quebradiço...
Cuidado!