13.11.09

"SYRAH"

É no fumo que te encontro,
alma perdida
É neste rasto de incerteza que te abraço

Só no espesso bailar da cinza,
queimada a cada trago,
saboreio a tua ausência
A consciência de ti...

É no fumo que te encontro
Por não saber quem és,
doce melodia

É nesta sobra de memória que me aconchego
- pouco mais resta para abraçar
As lembranças,
apenas as lembranças...

As mãos entrelaçadas como teias,
as bocas unidas numa aflição,
porque o momento urge,
porque daqui a pouco nada mais vai restar...

É no fumo que te reencontro,
alma perdida
Onde estavas?

Os passos não te chegam...
Os trilhos não se abrem...
Mais um sorriso para o caminho
Mais um abraço para matar

É no sono perdido,
no capitular desmedido,
que te oiço cantar
Longe,
tão longe...

É aqui que te encontro,
alma perdida...
Aqui,
onde estou
agora,
onde sempre hei-de estar...