20.11.09

Brandura

Tão doce
o teu sorriso...

Como um banho de petúnias,
rosas,
canela e alecrim;

Um adeus que se agiganta
na permissa do regresso,
- imenso -,
que se quer
breve...

Na tez
alva,
bailam querubins
sorrindo,
brincando no teu peito,
nos teus cabelos de fogo;
num jeito de ser
não sendo,
num jeito de querer,
não querendo...

Os dias são mais longos que a própria vida
E ela não se detém,
para te olhar,
para te sorver,
Para te dar de novo as telas,
em branco,
para que possas pintar tudo outra vez
em verdes mantos,
e espalhá-las pela cidade
como um fruto maduro e fresco,
abrindo a alma e os sonhos
-outra vez -,
de rua em rua,
de sombra em sombra...

É tão doce
o teu sorriso...
Um banho de petúnias,
rosas,
canela, alecrim...

No acre da penumbra,
No tojo da memória,
uma luz que sobranceia
o dia, a noite
a maldita noite que nos ama tanto,
essa irmã fugitiva,
... a tua luz,
... o teu gesto,
de querer - sem mais;

Num fio de brandura
a tua luz permanece...