5.12.09

Há tanto

Há um fogo
cá dentro,
que teima em arder,
que teima em deixar-se padecer
na tremura dos dias

Há gestos
por dentro,
que debitam chagas,
como soluços,
como beijos,
perdidos em gestos catárticos

Há sono
por adormecer,
melodias secas pelo pó,
malabarismos fonéticos
que degustam a alma
como sobras

Há gente
ébria,
que dança,
ao bater erróneo das portas,
ao rasgar de roupas,
ao vento,
em bicos de pés
para que tudo cesse

Há tudo
num infindável óbito de palmas,
de corpos que não se querem,
que de tanto desejar
se devoram apenas no segredo,
numa lava de medo

Há tanto...