1.9.10

Um homem perigoso!

É minha a certeza que unicamente em circunstâncias extremas o Ser Humano se revela. A curta experiência desta vida assim me tem mostrado.
Porém, ainda espero, com crença diminuta, é certo, pelo momento (dia ou hora) em que estas “verdades”, muito minhas, sejam postas em causa e a definição de “Gente”, perante factos inabalavelmente irrefutáveis, volte a ser algo em que valha a pena eu acreditar novamente.
Até lá, e depois do que a seguir relatarei, o “extremismo” e a "radicalidade", como alguns apelidam as minhas convicções, “incomportáveis com a vida numa sociedade moderna, democrática e livre” (onde?!), continuarão a ditar o meu caminho e as minhas escolhas. De preferência, bem longe da raça hominídea e das suas demagogias.

Fui convidado a integrar a equipa de apoio técnico a um evento que decorreu em Lisboa, há poucos dias atrás.
Perto da Lapa, repúnhamos, na proveniência, algum do restante material utilizado.
A rua é estreita, mas tenho habilidade para estacionar o veículo de transporte logístico junto ao passeio, longitudinalmente.
Do lado simetricamente oposto, um modelo Station Wagon de alta cilindrada, ou não estivéssemos ás portas da Lapa, está displicentemente largado. Com a frente do veículo a ocupar uma parte da faixa, em total desalinho.
Há um veículo que se aproxima. Mais uma Station Wagon de gama alta, cor escura, com estofos em pele – ou não estivéssemos nós na Lapa.
O condutor detém-se e, apesar de com algum engenho ser perfeitamente possível a passagem, interpela-me:
- Olhe, vai ter de tirar isso daí que eu não consigo passar!
- Vai desculpar-me mas, este veículo está bem estacionado. Se alguém tem de retirar o que quer que seja será o proprietário daquela carrinha! – Apontei para a Station Wagon cinzenta do outro lado da estrada, com a frente na faixa de rodagem.
Virei costas e regressei ao trabalho.
De pronto me apercebo que o condutor que me interpelou saltou do carro e dirige-se vigorosamente na minha direcção.
Reconheço-o imediatamente. É João Lagos. Figura proeminente na aleivosa camada empresarial desta “Quinta” chamada Portugal.

O seu discurso mudou. Trata-me agora por “tu”.´
Num tom declaradamente ostensivo, gesticula e vocifera coisas do género: “Tu és marrão ou quê?!”, “Vais tirar isto daqui e é já!”.
Tenta, por várias vezes, tirar-me o material que estava a transportar. Sinto-lhe as mãos nas minhas costas, nos ombros, numa clara tentativa de despertar o confronto.
Viro-me para ele e foco-me nos seus olhos, que me fizeram lembrar tantos e tantos documentários da BBC sobre tubarões do Pacífico.
Avalio rapidamente a minha situação e as possibilidades de dela sair da melhor forma possível. Que posso eu fazer, ou do que posso socorrer-me, para defender a minha integridade física?!
Ao mesmo tempo, lanço-lhe um desabafo:
- É triste que um homem da sua posição esteja a ter este tipo de atitude.
- É por ter a posição que tenho que não aturo gajos como tu! – atira João Lagos.
Respiro fundo e torno a virar-lhe as costas.
As suas palavras e gestos eram frenéticos. Inclusivamente, a determinada altura, apercebi-me das suas mãos a ensaiar um movimento estrangulador, direccionado a mim. Honestamente, não queria acreditar no que estava a ver. Ainda agora me parece completamente surreal.
- Já lhe disse para não me tocar. – repeti, com o melhor tom de calma que consegui arranjar.
- A tua sorte é eu não te querer tocar, pá! – vociferou.

O condutor da outra Sation Wagon aparece e faz mover o seu veículo, deixando espaço mais do que suficiente para João Lagos passar no seu “alta cilindrada”.
Haviam já muitos moradores nas janelas e ainda um outro automobilista na expectativa. Saindo em minha defesa, ainda o ouvi gritar: “Se não lhe bateres tu, bato eu!”.
Com o caminho livre e a persuasão de um outro membro da equipa em que eu estava integrado, finalmente, o principal responsável pelo Estoril Open e por tantas outras provas de “elite” cá na “Quinta”, demoveu-se, contrariado, da sua tentativa de estravasar testoesterona e regressou aos seus estofos de pele, ainda a espumar de raiva, desaparecendo de seguida no lusco-fusco.

Agora, analisando os factos de forma crua e com os pensamentos mais refreados, sei que tomei a atitude certa ao não seguir o caminho fácil da violência. Algo que João Lagos, do “alto” da sua postura quase colonial, fez tudo para despoletar.
É certo que eu não sairia sem mácula (que vai à guerra dá e leva), mas o empresário também não ficaria a rir-se, disso não tenho dúvidas. Pelo menos, não com a dentição completa.
Além do mais, à posteriori, numa barra de tribunal, mesmo alegando legítima defesa, com várias testemunhas presentes a corroborar a verdade dos factos, para que lado acham iria pender a balança da justiça? Aquela a que chamam “democrática”, “livre”, “cega” e “imparcial”...

Ao fim e ao cabo, o que me parece mais grave nisto tudo é a postura destes “senhores”. A atitude perante a vida e perante os outros. A falta de respeito e autoridade ditatorial que os rege e lhes pauta a pose, perante a suposta “plebe”.
Não detinha qualquer tipo de opinião sobre João Lagos. Passava-me completamente ao lado a sua figura e os seus eventos mas, agora a história será outra.
Gente como o “senhor” João Lagos não merece o meu apreço, nem sequer a minha consideração. Pois, é na ponta do abismo que as verdadeiras atitudes, intenções e posturas dos homens se revelam.
São estes “senhores” os barões desta Quinta, desta anedota chamada Portugal!
São estes os “senhores” que surgem nas capas de revistas e são condecorados pelos préstimos à nação e à sociedade!
São estes “os vampiros” que “comem tudo” e minam o ser-se humano.
São estes os “senhores” a quem prestamos vassalagem, diariamente, sem sequer darmos por isso!
No entanto, no próximo Estoril Open as bancadas vão voltar a estar à pinha, pois claro. E a carneirada vai achar muita piada ao ténis “DE ALTO NÍVEL” na televisão, pois então…
Enquanto eu fico a ansiar pelo momento em que o “senhor” João Lagos encontre pela frente, um dia destes, alguém que não meça as consequências dos seus actos, ou não tema a ambiguidade das leis ao serviço dos tribunais, ao serviço de uma "elite".




* A foto utlizada está disponível no motor de busca Google.

20.8.10

AVISO!

Recebi isto e divulguei!

« ESTA VALE A PENA DIVULGAR!!! é uma verdadeira
vergonha...
...batendo as asas pela noite calada... vêm em bandos,
com pés de veludo...» Os Vampiros do Século XXI:
A Caixa Geral de Depósitos (CGD) está a enviar aos
seus clientes mais modestos uma circular que deveria fazer
corar de vergonha os administradores - principescamente
pagos - daquela instituição bancária.
A carta da CGD começa, como mandam as boas regras
de marketing, por reafirmar o empenho do Banco em
oferecer aos seus clientes as melhores condições de preço
qualidade em toda a gama de prestação de serviços,
incluindo no que respeita a despesas de manutenção nas
contas à ordem.
As palavras de circunstância não chegam sequer a
suscitar qualquer tipo de ilusões, dado que após novo
parágrafo sobre racionalização e eficiência da gestão de
contas, o estimado/a cliente é confrontado com a
informação de que, para continuar a usufruir da isenção da
comissão de despesas de manutenção, terá de ter em cada
trimestre um saldo médio superior a EUR1000, ter crédito
de vencimento ou ter aplicações financeiras associadas à
respectiva conta.
Ora sucede que muitas contas da CGD,designadamente
de pensionistas e reformados, são abertas por imposição
legal.
É o caso de um reformado por invalidez e quase
septuagenário, que sobrevive com uma pensão de
EUR243,45 - que para ter direito ao piedoso subsídio diário
de EUR 7,57 (sete euros e cinquenta e sete cêntimos!) foi
forçado a abrir conta na CGD por determinação expressa da
Segurança Social para receber a reforma.
Como se compreende, casos como este - e muitos são
os portugueses que vivem abaixo ou no limiar da pobreza -
não podem, de todo, preencher os requisitos impostos pela
CGD e tão pouco dar-se ao luxo de pagar despesas de
manutenção de uma conta que foram constrangidos a abrir
para acolher a sua miséria.
O mais escandaloso é que seja justamente uma
instituição bancária que ano após ano apresenta lucros
fabulosos e que aposenta os seus administradores, mesmo
quando efémeros, com «obscenas» pensões (para citar
Bagão Félix), a vir exigir a quem mal consegue sobreviver
que contribua para engordar os seus lautos proventos.
É sem dúvida uma situação ridícula e vergonhosa,
como lhe chama o nosso leitor, mas as palavras sabem a
pouco quando se trata de denunciar tamanha indignidade.
Esta é a face brutal do capitalismo selvagem que nos
servem sob a capa da democracia, em que até a esmola
paga taxa.
Sem respeito pela dignidade humana e sem qualquer
resquício de decência, com o único objectivo de acumular
mais e mais lucros, eis os administradores de sucesso.
Medita e divulga... Mas divulga mesmo por favor...
Cidadania é fazê-lo, é demonstrar esta pouca vergonha que
nos atira para a miserabilidade social.
Este tipo de comentário não aparece nos jornais, tv's e
rádios... Porque será???
Eu já fiz a minha parte. Faz a tua.»

30.7.10

Time Out

Precisei de parar. De repensar tudo, de me esquecer e recordar a verdadeira essência do que de mais pueril existe em nós.
Estou a reerguer-me aos poucos... E aos poucos a vontade para regressar ao trabalho lá vai surgindo, aqui e ali, a espaços.

Depois do Verão regresso aos espectáculos e ás canções. Até lá, pode ser que nos cruzemos por aí, num boteco perdido, para uma surfada, uma conversa ou outra coisa qualquer.

24.5.10

" New Gig"

No dia 17 de Junho, quinta-feira, pelas 22 horas, vou estar na Livraria LER DEVAGAR na Lx Factory.

20.5.10

6.5.10

Caminhos...


A 14 de Maio, andarei por estas bandas...

22.4.10

Absolutamente a não perder!

A nova Curta metragem do Pedro Serrazina!

Amaio-o, em Maio!

... E ao que parece, estarei no dia 14 de Maio à noite na Sociedade Guilherme Cossul em Lisboa, na iniciativa do MAR : "Amaioportuguês".

12.4.10

Insistência / Existência


Não sei.
Não sei porque não vou,
Apenas,
E deixo que sejam as pernas a conduzir-me…
Não sei.

Talvez ficando me canse menos,
Talvez dizendo “sim” seja mais fácil negar-te…
Não sei.
Já não sei nada!

O pouco que me ocupava o espírito voou para longe
E deixou-me aqui,
A contar pedras no meio da sala…
E são tantas!
Nos tapetes, nas estantes, aos cantos, sobre os móveis,
Tantas e logo eu,
Que não sei contar,
Aqui armado em poeta contador de pedras…
Contador de merda,
Isso sim!
Daquela que se agarra ás fissuras das botas que insisto em usar,
Apesar de terem passado de moda há vinte anos,
Pretas,
De cano alto,
A lembrar o militar que não fui,
Mas o militante que sou…
(Não sei!?
Será que ainda sou!?)
Talvez se olhar atentamente
Para a sola das minhas botas
Me descubra por lá
- Entre a merda e as pedras…

Não sei,
Já não sei nada…
Disseram-me para vir para aqui,
Para me comportar,
Para me sentar direito,
Dizer coisas bonitas,
Com sentido,
Ser eloquente e compreensivo,
E agora apenas conto pedras
Nos tapetes dos outros,
Numa casa que não é a minha,
Em cantos que não são os meus;
Até o militante já se desdobra
Por milícias que não conhece,
Enquanto as pernas não cessam a caminhada…

Não sei, pronto!
Admito: Já não sei nada!

Se calhar nem homem sou!
Apenas um enorme pedaço de bosta fumegante
Que insiste na neblina fétida da existência,
Apenas para roubar mais um esquiço
Da dádiva alheia;
Se calhar nem bosta sou!
Apenas uma névoa baça e pestilenta
Que conta pedras lá do alto,
Por não saber onde pairar
- Para que canto, para que estante, ou para que tapete…

Não sei…
Já não sei nada…
E calculo até
Que essa ausência seja fruto da “não existência”.
Se calhar sou apenas um espectro,
Uma lembrança,
Uma ideia…
Mas que bela ideia!
- Valha-me Deus!
Mas que bela ideia!!
- Valha-me Alá!!
Mas que BELA IDEIA!!!
- Valha-me Buda ou a Cientologia!!!
OU A CABALA!!!
(que com um nome destes deve ser uma besta!).

Mas afinal que ideia foi a vossa?
Deixar-me para aqui a morrer aos poucos,
A cada pouco que passa?
A contar pedras no meio da sala?
DE QUEM É ESTA SALA AFINAL?
DE QUEM SÃO ESTES CANTOS?
NINGUÉM RESPONDE???

Não sabem…
Também já não sabem nada, não é?
E não vale a pena pasmarem para a fissura do vosso calçado,
Nem para a merda dos outros;
Porque agora é tarde
E já não vale a pena.

Desmonte-se o circo,
A tenda,
As bilheteiras,
E ponha-se a nu o trapezista,
Para que se perceba a sua pança,
Ébria,
Gordurosa,
Empenada pelo tempo de militância vazia,
Pelo respeitinho
Pelas coisas bonitas – com sentido,
Pela eloquência e compreensão…
Contemos pedras!
Elas não fogem por entre os dedos.
Contemos pedras e atiremos os sonhos à neblina…

Pois, na insistência,
Nunca chegámos verdadeiramente a existir.

9.4.10

De Dentro

Mais uma descarga...

www.myspace.com/ldermusica


DE DENTRO


Corpo de frio
que o lodo detém

Crista de mar
no corpo de alguém

Ao longe cai
um véu que o sono assombra

E tudo o que amanhã
me vão dizer
é para mutilar

Toda a jura trai...


Sopro feito céu
um acordar de dentro

Num sopro feito meu
subliminar tremor
de amor pefeito

O querer de novo
não me vai mover...
é para mutilar

Toda a jura trai...

Um acordar
num sopro feito céu.

26.3.10

"Os Poetas da Meia-Noite" !
























No passado sábado (20/03/2010) tive uma passagem rápida, mas sobejamente gratificante, pela Casa da Comédia (Lisboa) em noite de celebração do 'Dia Mundial da Poesia' (a 21 de Março). Uma iniciativa que, para além da palavra dita, abraçou também a palavra cantada.

Os Poetas:
Catarina Nunes de Almeida, Vasco Gato, Hugo Milhenas Machado, Filipa Leal, Miguel Manso e Ana Salomé. Ainda com as participações especiais de Filipe Crawford e Manuel Cintra.
Os Músicos:
Gonçalo Miragaia (Pássaro e Cinza), Nanu Figueiredo, Diogo Dias e David Heinrich (Mola Dudle) Guta Naki e eu (com a preciosa ajuda e talento do 'camarada'/amigo Rui Santos).






A minha singela colaboração ficou assim registada:


RóRó








sarah galahad MySpace Video














Lírio de Sal (Lder JP Santos) from sarah galahad on Vimeo.



Visto da "lateral" e da plateia, o palco estava assim:


















Uma casa cheia de gente e boas energias.
Espero que haja mais, em breve.

24.3.10

Num bater de Asas qualquer...

Um bater de asas qualquer
e nós para aqui... a comer suspiros,
dando gritos para esconder sujeitos e predicados,
para que não se sinta a vida nas veias

Ouvi dizer que o sono tem cansaços
que a cama não sacia,
será por isso que as noites cansam?
Como os dias sem vento?
Como os beijos sem língua?
Há mais sangue num beijo
que amor nos espartilhos das palavras

E a vida quer-se sangrenta,
dilacerante,
como as lâminas aguçadas da vontade insana,
do desejo viril,
dos dias a morrer aos poucos
com medo de viver a rodos

E há-de haver quem não sonhe,
quem apenas mordisque os confetis,
os que de obtusos não sublimam,
aqueles que amam sem rasgar,
e desejam sem comer,
e reprovam a digestão

Mas havemos de parar o tempo - um dia,
e ficar para aqui a comer cansaços...
Ansiando pelo sono dos beijos
e por línguas de vento,
- um dia,
num bater de asas qualquer...

17.3.10

16 de Março - 2010

Conversas e aprendizagem...

... e há dias que valem uma vida!

23.2.10

"..."


Ser de dentro,
Ser por dentro;
E não ser nada,
No fundo,
No sangue;
Vazio como a sede,
O gretar oco da palavra…

Se por dentro como nada;
No fundo,
Da pele
Da carne,
Como a calma
- O acordar tísico da bela morte;
A palavra oca
Como fome…



(imagem gentilmente cedida pelo 'PC' da Claudia Silva)

7.1.10

"(Thinking Me Dead...) It´s Intentional" com o Luís Costa

Há coisas que não se explicam... Fazem-se e pronto.
Luís Costa, um amigo "virtual" destas coisas dos "myspace's" e Facebook's", ofereceu-me, assim de bandeja, algumas ideias para um tema meu (It´s Intentional) que há pouco tempo disponibilizei no meu espaço.
Não me fiz de rogado e, dado ao bom gosto do Luís C., não perdi tempo em misturar as pistas que amavelmente me enviou por mail.
O resultado de tal parceria já pode ser ouvido e, para os mais radicais, descarregado na caixa Reverb Nation do meu Blog: www.l-der.blogspot.com .

Entretanto, aconselho-vos vivamente a conhecer o trabalho do Luís nestes cantos virtuais:
http://www.myspace.com/luiscosta
http://www.myspace.com/madcab
http://www.myspace.com/synergyproject

... e mais recentemente, um outro projecto onde o Luís também está envolvido e que participará na edição deste ano do Termómetro Umplugged: YOU CAN´T WIN, CHARLIE BROWN - http://www.myspace.com/youcantwincharlieb.
Oiçam e deliciem-se!

Obrigado Luís.
Um grande Abraço. Espero que este seja o início de muitas outras histórias com final feliz!