22.4.10

Absolutamente a não perder!

A nova Curta metragem do Pedro Serrazina!

Amaio-o, em Maio!

... E ao que parece, estarei no dia 14 de Maio à noite na Sociedade Guilherme Cossul em Lisboa, na iniciativa do MAR : "Amaioportuguês".

12.4.10

Insistência / Existência


Não sei.
Não sei porque não vou,
Apenas,
E deixo que sejam as pernas a conduzir-me…
Não sei.

Talvez ficando me canse menos,
Talvez dizendo “sim” seja mais fácil negar-te…
Não sei.
Já não sei nada!

O pouco que me ocupava o espírito voou para longe
E deixou-me aqui,
A contar pedras no meio da sala…
E são tantas!
Nos tapetes, nas estantes, aos cantos, sobre os móveis,
Tantas e logo eu,
Que não sei contar,
Aqui armado em poeta contador de pedras…
Contador de merda,
Isso sim!
Daquela que se agarra ás fissuras das botas que insisto em usar,
Apesar de terem passado de moda há vinte anos,
Pretas,
De cano alto,
A lembrar o militar que não fui,
Mas o militante que sou…
(Não sei!?
Será que ainda sou!?)
Talvez se olhar atentamente
Para a sola das minhas botas
Me descubra por lá
- Entre a merda e as pedras…

Não sei,
Já não sei nada…
Disseram-me para vir para aqui,
Para me comportar,
Para me sentar direito,
Dizer coisas bonitas,
Com sentido,
Ser eloquente e compreensivo,
E agora apenas conto pedras
Nos tapetes dos outros,
Numa casa que não é a minha,
Em cantos que não são os meus;
Até o militante já se desdobra
Por milícias que não conhece,
Enquanto as pernas não cessam a caminhada…

Não sei, pronto!
Admito: Já não sei nada!

Se calhar nem homem sou!
Apenas um enorme pedaço de bosta fumegante
Que insiste na neblina fétida da existência,
Apenas para roubar mais um esquiço
Da dádiva alheia;
Se calhar nem bosta sou!
Apenas uma névoa baça e pestilenta
Que conta pedras lá do alto,
Por não saber onde pairar
- Para que canto, para que estante, ou para que tapete…

Não sei…
Já não sei nada…
E calculo até
Que essa ausência seja fruto da “não existência”.
Se calhar sou apenas um espectro,
Uma lembrança,
Uma ideia…
Mas que bela ideia!
- Valha-me Deus!
Mas que bela ideia!!
- Valha-me Alá!!
Mas que BELA IDEIA!!!
- Valha-me Buda ou a Cientologia!!!
OU A CABALA!!!
(que com um nome destes deve ser uma besta!).

Mas afinal que ideia foi a vossa?
Deixar-me para aqui a morrer aos poucos,
A cada pouco que passa?
A contar pedras no meio da sala?
DE QUEM É ESTA SALA AFINAL?
DE QUEM SÃO ESTES CANTOS?
NINGUÉM RESPONDE???

Não sabem…
Também já não sabem nada, não é?
E não vale a pena pasmarem para a fissura do vosso calçado,
Nem para a merda dos outros;
Porque agora é tarde
E já não vale a pena.

Desmonte-se o circo,
A tenda,
As bilheteiras,
E ponha-se a nu o trapezista,
Para que se perceba a sua pança,
Ébria,
Gordurosa,
Empenada pelo tempo de militância vazia,
Pelo respeitinho
Pelas coisas bonitas – com sentido,
Pela eloquência e compreensão…
Contemos pedras!
Elas não fogem por entre os dedos.
Contemos pedras e atiremos os sonhos à neblina…

Pois, na insistência,
Nunca chegámos verdadeiramente a existir.

9.4.10

De Dentro

Mais uma descarga...

www.myspace.com/ldermusica


DE DENTRO


Corpo de frio
que o lodo detém

Crista de mar
no corpo de alguém

Ao longe cai
um véu que o sono assombra

E tudo o que amanhã
me vão dizer
é para mutilar

Toda a jura trai...


Sopro feito céu
um acordar de dentro

Num sopro feito meu
subliminar tremor
de amor pefeito

O querer de novo
não me vai mover...
é para mutilar

Toda a jura trai...

Um acordar
num sopro feito céu.