22.9.11

"when all of your wishes are granted, many of your dreams will be destroyed.."



ants are in the sugar

muscles atrophy
we're on the other side, the screen is us and we're t.v.
spread me open,
sticking to my pointy ribs
are all your infants in abortion cribs
I was born into this
everything turns to shit
the boy that you loved is the man that you fear
pray until your number,
asleep from all your pain,
your apple has been rotting
tomorrow's turned up dead
i have it all and i have no choice but to
i'll make everyone pay and you will see
you can kill yourself now
because you're dead in my mind
the boy that you loved is the monster you fear
peel off all those eyes, crawl into the dark,
you poisoned all your children to camouflage your scars
pray unto the splinters, pray unto your fear
pray your life was just a dream
the cut that never heals
pray now baby, pray your life was just a dream
(I am so tangled in my sins that I cannot escape)
pinch the head off, collapse me like a weed
someone had to go this far
I was born into this
everything turns to shit
the boy that you loved is the man that you fear
peel off all those eyes and crawl into the dark,
you poisoned all your children to camouflage your scars
pray unto the splinters, pray unto your fear
pray your life was just a dream
the cut that never heals
pray now baby, pray your life was just a dream
the world in my hands, there's no one left to hear you scream
there's no one left for you

"when all of your wishes are granted, many of your dreams will be destroyed.."








19.9.11

Purga...

Espanta-me que insistas em capitular...

É estranho sentir-se o medo escorrer para dentro do pote do esquecimento,
inundá-lo numa enxurrada de gestos e palavras aguçadas;
gelar como um razo e esquívo réptil das frestas da cal
e perder os pontos cardeais;
navegar pelo despojo da maré, do vento, do sal...

Espanta-me...

18.6.11

Tonto de Barriga Grande




Importas-te que te cante?

Que te chame aos sete ventos e que eles me mandem dormir,
porque já não virás acordar-me na madrugada de feitiços?

Bem sei que estas coisas amedrontam,
mas que queres, sou um tonto de barriga grande
e sonhos à flor da pele!
Deixei que o tempo passasse por mim
sem que os relógios parassem,
nem que fosse por dois minutos,
para me despertarem a tua existência…

E agora que sei que caminhas,
que devoras passos como quem fuma tristezas,
já não me importa o que possas pensar;
se até palmilhei montes e saberes
apenas para me poder deitar na tua sombra
e ver-te dormir nessas águas sem salitre…

Sabes,
já tive mil vidas!
Combati dragões e feiticeiros,
bruxas e alquimistas,
mas o que me prende ainda à existência
não é mais do que as sobras que me deixa
e que respiro de um só trago,
no pavor da derrota antecipada…

Os sonhos são o vício do louco!
Talvez o seja também,
quem saberá…
Mas neste mundo de saudades e mistérios seculares,
em que o homem se come vivo,
nas almas ataviadas pelo chão,
foste uma espécie de caminho sardento
de risos e correrias desenfreadas…

Que fazer?
São as sobras da vida!
Que na maior parte das vezes nem nos pertencem,
e até parece que se escondem nos bolsos de um urso gigante,
que arreganha os dentes sempre que tentamos delirar…

Não ligues….
Sou apenas um tonto de barriga grande,
à espera que me vejas e me acenes,
dizendo: “Matas este dragão para mim? Sabes, não me deixa dormir…”

9.6.11

Pequenos Tragos





Serão as palavras vãs, ocas?

Será o calor das mãos um sonho que inebria os sentidos
ao ponto de desejarmos não acordar?

Será mais fácil abrir os olhos e ânsiar o breve,
querer ser outro,
noutro tempo,
noutro espaço;
ser tamanho,
ser divino?

Será o aroma que insiste em percorrer os dedos
a vontade de ser vida,
o abraço da perpétua ausência?

E o que sopra lá fora,
não é já o tempo desgarrado entre o respeito e a cobiça,
entre o desejo e a ilusão?

Estranho plano este de respirar fugindo,
de morrer cantando,
de ser a esperança do cansaço
e a ilusão da corrida…

E sobra a pele por arrimar a outra pele que já é vento,

… sobra tanto,
por dentro.

30.4.11

Ás Arrecuas...

Entrelaçam-nos os dedos
E depois dizem que é proibido sonhar


Que o mundo acaba depois de amanhã
E que os desejos partiram
Com ânsias de ficar nas arrecuas dos sentidos
- já dormentes…

Não sei quem mais quer:
Se quem julga
Se quem conquista…
Ambos estoiram no mofo do porvir,
Na secura dos braços estendidos
Que insistimos em arranhar,
Para lembrar que o presente existe
Mesmo quando é parco em laços
Em sangue
E em mel…

Quando o espasmo remove o entulho
Regressamos ao berço
Ao leito,
Para sorrir como quem perde
Para ganhar como quem ama…

Entrelaçam-nos os dedos
E dizem-nos que nada é permanente,
Mesmo que sonhos insistam em perpetuá-lo,
Nas vagas brandas de quem sente
Nas bocas acres de quem sobra,
Na perda seca e puritana
- a rasgar peitos e canções…

… e as noites,
são mãos que não se fecham,
são laços
tiros de medo arrimados aos desejos
- cansados,
que de abandonados já há muito desancoraram…

15.2.11

Intermitências

Recordo-me do seu cheiro, do seu sorriso...
Passada uma década sobre a morte do meu avô, o banco de memória ainda o identifica em pequenas coisas do quotidiano: Nas caras e rugas de outros septuagenários largados nos bancos de jardim, ao sabor das conversas de passos pequenos, de vidas cheias.
O meu avô era um português à moda antiga. Daqueles, como já há poucos. Com tendência para se confundir com a memória fotográfica de um qualquer postal ou recuerdo, nos mostruários à beira das praias. Memórias de um Portugal que ficou lá atrás... Muito atrás.
O tempo em que as crianças usavam galochas para conquistar as poças – rainhas da chuva –; em que se jogava ao berlinde, ás escondidas ou à sirumba. Era o tempo em que as férias de Verão duravam três meses inteiros, mas a tabuada não era esquecida.
Depois da morte do meu avô, para mim, Portugal começou a mergulhar numa tristeza exasperante – ou terei sido só eu?
O facto é que a vontade de se ser português se esfuma a cada ano que finda, numa permanente depressão colectiva…
Já não há netos a quem sorrir e os velhos do jardim estão sós e morrem sós, sem que ninguém os procure… Nem mesmo quando chega o fim.
O meu saudoso velhote tinha um sorriso contagiante. Era impossível não rirmos com ele. Nunca o vi cabisbaixo, nem ouvi amaldiçoar a sua “triste” sorte de ter nascido em Portugal. Sorria apenas, pouco mais lhe restava...
Esse sorriso é o que guardo num canto do peito. Na esperança que os netos de hoje sejam amanhã, outra vez, avós. Porque Portugal precisa, mais do que nunca, de quem lhe esboce um sorriso, o sente no colo e o ensine a ser homem.

1.2.11

Coisas que recebo no meu Email.

O texto que se segue foi copiado na integra de um mail que recebi hoje.

«-Porque é que os madeirenses receberam 2 milhões de Euros da solidariedade
nacional, quando o que foi doado era de 2 milhões e 880 mil?

Querem saber para onde foi esta "pequena" parcela? É só fazer as contas ....

POIS É....
EM PORTUGAL ATÉ A SOLIDARIEDADE DOS PORTUGUESES
SERVE PARA FAZER NEGOCIATAS...

A campanha a favor das vítimas do temporal na Madeira através de chamadas
telefónicas é um insulto à boa-fé da gente generosa e um assalto à
mão-armada.

Pelas televisões a promoção reza assim: Preço da chamada 0,60 + IVA.
São 0,72 no total.

O que por má-fé não se diz é que o donativo que deverá chegar (?) ao
beneficiário madeirense é de apenas 0,50.

Assim oferecemos 0,50 a quem carece, mas cobram-nos 0,72,

mais 0,22 ou seja 30 %.

Quem fica com esta diferença?

1º - a PT com 0,10 (17 %) isto é a diferença dos 50 para os 60..

2º - o Estado 0,12 (20 %) referente ao IVA sobre 0,60.

Numa campanha de solidariedade, a aplicação de uma margem de lucro pela PT e
da incidência do IVA pelo Estado são o retrato da baixa moral a que tudo
isto chegou.

A RTP anunciou com imensa satisfação que o montante doado já atingiu os
2.000.000 de euros.

Esqueceu-se de dizer que os generosos pagaram mais 44 % ou seja mais 880.000
euros divididos

entre a PT (400.000 para a ajuda dos salários dos administradores)

e o Estado (480.000 para ajuda ao reequilíbrio das contas públicas e aos
trafulhas que por lá andam).

A PT cobra comissão de quase 20 % num acto de solidariedade!!!

O Estado faz incidir IVA sobre um produto da mais pura generosidade!!!

ISTO É UMA TOTAL FALTA DE VERGONHA!!!

ISTO É UM ASQUEROSO ESBULHO À BOLSA E AO ESPÍRITO DE SOLIDARIEDADE

DO POVO PORTUGUÊS!!!

NÃO COLABORE NESTAS CAMPANHAS, CASO NÃO SEJA ESCLARECIDO CABALMENTE QUE
OS "DONATIVOS" ESTÃO ISENTOS DE IMPOSTOS E DE TAXAS OU COMISSÕES, BEM COMO
NÃO CONTRIBUEM (SEM RETORNO SOLIDÁRIO) PARA O AUMENTO DOS NEGÓCIOS DOS
GANANCIOSOS GESTORES...

NÃO SEJA TÓTÓ!!! E DENUNCIE!
»

25.1.11

Tretas (part. 1)


... acho que para ser uma coisa qualquer, desde que dê a sensação de ser alguma coisa, é que é importante. Isso é que conta, verdadeiramente.

Não importa se hoje atraiçoamos o que dissemos ou fizemos ontem, na passada semana ou há um ano atrás... "porque somos humanos e errar é humano e há que saber perdoar e" blá, blá, blá e mais isto e mais aquilo.

O que interessa é parecer que se É. Mesmo que o Ser aparente a solidez de quatro palitos a suster uma placa de mármore.

Merda, senhores e senhoras! Merda, da mais viscosa e putrefacta que existe! Sim, todas estas balelas são Merda, nada mais.

Convenhamos, nunca se perdoa conscientemente. Nunca se encerra "um assunto". Nunca uma situação, palavra ou atitude, pertence realmente ao passado. Porque ao menor motivo dos motivos, com a premissa da defesa pessoal, o que estava "morto e enterrado" é rapidamente trazido à tona da conversa, ou discussão, para servir como arma de arremesso ou contra-ataque.

Portanto, poupem-me a Treta Retórica.

21.1.11

Dorme


... dorme

Embala-te nos sonhos

nas viagens

e nos caminhos

dorme


Enquanto a história se escreve

com o fardo da melancolia

e das canções caladas (malditas)

e das vozes enegrecidas

por isso,

dorme


Deleita-te na rubosidade

no açúcar e no mel

em sonhos de viagens e caminhos

ainda que não sejam os teus

ainda é cedo


Dorme,

meu anjo

Os homens decidirão por ti

Os homens dar-te-ão o ar

o céu

as estrelas


Porque o inferno é um mito

uma alegoria de castrados

idealistas

e anarcas


Dorme,

meu amor


Dorme que o dia não tarda

e a noite é densa

esconde palavras que te acordam

que te assombram a verdade

a mesma verdade de que te alimentas

e se não a vês

e se não a sentes

e se não a respiras

só pode ser uma ilusão

por isso,

dorme


O mundo vai continuar a girar

e tu com ele

no teu sono

pesado

ébrio


Dorme

que os dias acordarão sempre iguais


Dorme,

meu anjo.

12.1.11

Sempre... a Vertigem.

A vertigem
a queda no absurdo
na demência

Sempre a demência

Aquele mundo tão apelativo
turbilhão de querer e desejar
que morre a cada minuto
no ronronar trapaceiro
destes dias de razões
e certezas matemáticas

Sempre as certezas

A doçura da vertigem
que assusta
atemoriza

A passível queda na verdade
que se perde pelo medo
o terror
de descobrir o "outro"

O momento estala

É momento de tudo cessar
e tudo é cristalino
- a vertigem

Sempre a vertigem

E o toque é cansaço
trejeito e rotina
que mata
mutila
cárcere de sangue e terra
enquanto a descida adoça a perda
enquanto a queda afaga o sonho
enquanto tudo se desmaterializa

Sempre a queda

Como um banho de sal
no purgar de maus olhados
no cortar oblíquo das memorias
e da saudade
presa ao peito por finos fios
cabelos alvos
- os teus cabelos

Assoma-se ao postigo dos dias
fecha-se as cortinas

Depois
recolhe-se o que nos resta
e saboreia-se o acre das paixões
aquelas que ninguém sabe onde ficaram
mas já não nos acompanham

Sempre as paixões...

Esquecimentos...


... o meu velho blog... esqueci-me de ti, companheiro! Desculpa...