25.1.11

Tretas (part. 1)


... acho que para ser uma coisa qualquer, desde que dê a sensação de ser alguma coisa, é que é importante. Isso é que conta, verdadeiramente.

Não importa se hoje atraiçoamos o que dissemos ou fizemos ontem, na passada semana ou há um ano atrás... "porque somos humanos e errar é humano e há que saber perdoar e" blá, blá, blá e mais isto e mais aquilo.

O que interessa é parecer que se É. Mesmo que o Ser aparente a solidez de quatro palitos a suster uma placa de mármore.

Merda, senhores e senhoras! Merda, da mais viscosa e putrefacta que existe! Sim, todas estas balelas são Merda, nada mais.

Convenhamos, nunca se perdoa conscientemente. Nunca se encerra "um assunto". Nunca uma situação, palavra ou atitude, pertence realmente ao passado. Porque ao menor motivo dos motivos, com a premissa da defesa pessoal, o que estava "morto e enterrado" é rapidamente trazido à tona da conversa, ou discussão, para servir como arma de arremesso ou contra-ataque.

Portanto, poupem-me a Treta Retórica.

21.1.11

Dorme


... dorme

Embala-te nos sonhos

nas viagens

e nos caminhos

dorme


Enquanto a história se escreve

com o fardo da melancolia

e das canções caladas (malditas)

e das vozes enegrecidas

por isso,

dorme


Deleita-te na rubosidade

no açúcar e no mel

em sonhos de viagens e caminhos

ainda que não sejam os teus

ainda é cedo


Dorme,

meu anjo

Os homens decidirão por ti

Os homens dar-te-ão o ar

o céu

as estrelas


Porque o inferno é um mito

uma alegoria de castrados

idealistas

e anarcas


Dorme,

meu amor


Dorme que o dia não tarda

e a noite é densa

esconde palavras que te acordam

que te assombram a verdade

a mesma verdade de que te alimentas

e se não a vês

e se não a sentes

e se não a respiras

só pode ser uma ilusão

por isso,

dorme


O mundo vai continuar a girar

e tu com ele

no teu sono

pesado

ébrio


Dorme

que os dias acordarão sempre iguais


Dorme,

meu anjo.

12.1.11

Sempre... a Vertigem.

A vertigem
a queda no absurdo
na demência

Sempre a demência

Aquele mundo tão apelativo
turbilhão de querer e desejar
que morre a cada minuto
no ronronar trapaceiro
destes dias de razões
e certezas matemáticas

Sempre as certezas

A doçura da vertigem
que assusta
atemoriza

A passível queda na verdade
que se perde pelo medo
o terror
de descobrir o "outro"

O momento estala

É momento de tudo cessar
e tudo é cristalino
- a vertigem

Sempre a vertigem

E o toque é cansaço
trejeito e rotina
que mata
mutila
cárcere de sangue e terra
enquanto a descida adoça a perda
enquanto a queda afaga o sonho
enquanto tudo se desmaterializa

Sempre a queda

Como um banho de sal
no purgar de maus olhados
no cortar oblíquo das memorias
e da saudade
presa ao peito por finos fios
cabelos alvos
- os teus cabelos

Assoma-se ao postigo dos dias
fecha-se as cortinas

Depois
recolhe-se o que nos resta
e saboreia-se o acre das paixões
aquelas que ninguém sabe onde ficaram
mas já não nos acompanham

Sempre as paixões...

Esquecimentos...


... o meu velho blog... esqueci-me de ti, companheiro! Desculpa...