
... dorme
Embala-te nos sonhos
nas viagens
e nos caminhos
dorme
Enquanto a história se escreve
com o fardo da melancolia
e das canções caladas (malditas)
e das vozes enegrecidas
por isso,
dorme
Deleita-te na rubosidade
no açúcar e no mel
em sonhos de viagens e caminhos
ainda que não sejam os teus
ainda é cedo
Dorme,
meu anjo
Os homens decidirão por ti
Os homens dar-te-ão o ar
o céu
as estrelas
Porque o inferno é um mito
uma alegoria de castrados
idealistas
e anarcas
Dorme,
meu amor
Dorme que o dia não tarda
e a noite é densa
esconde palavras que te acordam
que te assombram a verdade
a mesma verdade de que te alimentas
e se não a vês
e se não a sentes
e se não a respiras
só pode ser uma ilusão
por isso,
dorme
O mundo vai continuar a girar
e tu com ele
no teu sono
pesado
ébrio
Dorme
que os dias acordarão sempre iguais
Dorme,
meu anjo.
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