A vertigem
a queda no absurdo
na demência
Sempre a demência
Aquele mundo tão apelativo
turbilhão de querer e desejar
que morre a cada minuto
no ronronar trapaceiro
destes dias de razões
e certezas matemáticas
Sempre as certezas
A doçura da vertigem
que assusta
atemoriza
A passível queda na verdade
que se perde pelo medo
o terror
de descobrir o "outro"
O momento estala
É momento de tudo cessar
e tudo é cristalino
- a vertigem
Sempre a vertigem
E o toque é cansaço
trejeito e rotina
que mata
mutila
cárcere de sangue e terra
enquanto a descida adoça a perda
enquanto a queda afaga o sonho
enquanto tudo se desmaterializa
Sempre a queda
Como um banho de sal
no purgar de maus olhados
no cortar oblíquo das memorias
e da saudade
presa ao peito por finos fios
cabelos alvos
- os teus cabelos
Assoma-se ao postigo dos dias
fecha-se as cortinas
Depois
recolhe-se o que nos resta
e saboreia-se o acre das paixões
aquelas que ninguém sabe onde ficaram
mas já não nos acompanham
Sempre as paixões...
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