12.1.11

Sempre... a Vertigem.

A vertigem
a queda no absurdo
na demência

Sempre a demência

Aquele mundo tão apelativo
turbilhão de querer e desejar
que morre a cada minuto
no ronronar trapaceiro
destes dias de razões
e certezas matemáticas

Sempre as certezas

A doçura da vertigem
que assusta
atemoriza

A passível queda na verdade
que se perde pelo medo
o terror
de descobrir o "outro"

O momento estala

É momento de tudo cessar
e tudo é cristalino
- a vertigem

Sempre a vertigem

E o toque é cansaço
trejeito e rotina
que mata
mutila
cárcere de sangue e terra
enquanto a descida adoça a perda
enquanto a queda afaga o sonho
enquanto tudo se desmaterializa

Sempre a queda

Como um banho de sal
no purgar de maus olhados
no cortar oblíquo das memorias
e da saudade
presa ao peito por finos fios
cabelos alvos
- os teus cabelos

Assoma-se ao postigo dos dias
fecha-se as cortinas

Depois
recolhe-se o que nos resta
e saboreia-se o acre das paixões
aquelas que ninguém sabe onde ficaram
mas já não nos acompanham

Sempre as paixões...

Esquecimentos...


... o meu velho blog... esqueci-me de ti, companheiro! Desculpa...