21.1.11

Dorme


... dorme

Embala-te nos sonhos

nas viagens

e nos caminhos

dorme


Enquanto a história se escreve

com o fardo da melancolia

e das canções caladas (malditas)

e das vozes enegrecidas

por isso,

dorme


Deleita-te na rubosidade

no açúcar e no mel

em sonhos de viagens e caminhos

ainda que não sejam os teus

ainda é cedo


Dorme,

meu anjo

Os homens decidirão por ti

Os homens dar-te-ão o ar

o céu

as estrelas


Porque o inferno é um mito

uma alegoria de castrados

idealistas

e anarcas


Dorme,

meu amor


Dorme que o dia não tarda

e a noite é densa

esconde palavras que te acordam

que te assombram a verdade

a mesma verdade de que te alimentas

e se não a vês

e se não a sentes

e se não a respiras

só pode ser uma ilusão

por isso,

dorme


O mundo vai continuar a girar

e tu com ele

no teu sono

pesado

ébrio


Dorme

que os dias acordarão sempre iguais


Dorme,

meu anjo.