30.4.11

Ás Arrecuas...

Entrelaçam-nos os dedos
E depois dizem que é proibido sonhar


Que o mundo acaba depois de amanhã
E que os desejos partiram
Com ânsias de ficar nas arrecuas dos sentidos
- já dormentes…

Não sei quem mais quer:
Se quem julga
Se quem conquista…
Ambos estoiram no mofo do porvir,
Na secura dos braços estendidos
Que insistimos em arranhar,
Para lembrar que o presente existe
Mesmo quando é parco em laços
Em sangue
E em mel…

Quando o espasmo remove o entulho
Regressamos ao berço
Ao leito,
Para sorrir como quem perde
Para ganhar como quem ama…

Entrelaçam-nos os dedos
E dizem-nos que nada é permanente,
Mesmo que sonhos insistam em perpetuá-lo,
Nas vagas brandas de quem sente
Nas bocas acres de quem sobra,
Na perda seca e puritana
- a rasgar peitos e canções…

… e as noites,
são mãos que não se fecham,
são laços
tiros de medo arrimados aos desejos
- cansados,
que de abandonados já há muito desancoraram…