9.6.11

Pequenos Tragos





Serão as palavras vãs, ocas?

Será o calor das mãos um sonho que inebria os sentidos
ao ponto de desejarmos não acordar?

Será mais fácil abrir os olhos e ânsiar o breve,
querer ser outro,
noutro tempo,
noutro espaço;
ser tamanho,
ser divino?

Será o aroma que insiste em percorrer os dedos
a vontade de ser vida,
o abraço da perpétua ausência?

E o que sopra lá fora,
não é já o tempo desgarrado entre o respeito e a cobiça,
entre o desejo e a ilusão?

Estranho plano este de respirar fugindo,
de morrer cantando,
de ser a esperança do cansaço
e a ilusão da corrida…

E sobra a pele por arrimar a outra pele que já é vento,

… sobra tanto,
por dentro.