Caminhar nos cacos, descalço…
Não importa se sangra.
Não importa se os sorrisos são temporários,
temperados como o tempo,
as esperas
e as ilusões;
não importa as palavras,
os dias
e o café fresco…
- Já te chamei duas vezes, e tu p’ra aí a escrever baboseiras sem gosto!
Estranho: o café frio é adocicado, sabias?
… não importam se me secam as tripas,
eu até nem tripas tenho;
e esta coisa da beleza intrínseca é uma valente merda!
Caminhar em cacos,
descalça,
obriga-te a sair das paredes,
a dizer parvoíces
e a juntar dois mais cinco
- que, como se sabe, é impossível;
a atirar para longe o futuro
e a dar um valente pontapé nas virilhas de alguém,
apenas porque a felicidade é um conceito abstracto e não dói,
logo: não pode ser verdadeiro…
Olha que porra,
deixei queimar o café…e esfarelar cigarros em água quente
não é a mesma coisa!...
- Perguntaram-me por ti.
Queriam saber se ainda estranhas o sol da manhã?
… quem se importa se sangra…
talvez seja dos cacos
ou então do aperto destas meias novas;
pelo sim pelo não
vou voltar para a parede...
Ainda lá tenho uma cafeteira cheia de café frio.

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