5.1.12

Café Frio



















Caminhar nos cacos, descalço…

Não importa se sangra.

Não importa se os sorrisos são temporários,
temperados como o tempo,
as esperas
e as ilusões;

não importa as palavras,
os dias
e o café fresco…

                 - Já te chamei duas vezes, e tu p’ra aí a escrever baboseiras sem gosto!

… mas eu gosto.



Estranho: o café frio é adocicado, sabias?


… não importam se me secam as tripas,
eu até nem tripas tenho;

e esta coisa da beleza intrínseca é uma valente merda!


Caminhar em cacos,
descalça,
obriga-te a sair das paredes,
a dizer parvoíces
e a juntar dois mais cinco
                  - que, como se sabe, é impossível;
a atirar para longe o futuro
e a dar um valente pontapé nas virilhas de alguém,
apenas porque a felicidade é um conceito abstracto e não dói,
logo: não pode ser verdadeiro…


Olha que porra,
deixei queimar o café…

e esfarelar cigarros em água quente
não é a mesma coisa!...
                  
                    - Perguntaram-me por ti.
                      Queriam saber se ainda estranhas o sol da manhã?

… quem se importa se sangra…

talvez seja dos cacos
ou então do aperto destas meias novas;


pelo sim pelo não
vou voltar para a parede...

Ainda lá tenho uma cafeteira cheia de café frio.