7.2.12

Amanheceu

Já amanheceu - perguntas-me com a voz da noite abraçada de cigarros e gestos curtos.
Deixaste cair os teus braços nos meus e nem o ruminar da auto-estrada, ao longe, perturba a paz da tua boca, calada num silêncio de açúcares, nicotina, vermelho e língua.
Há pele no chão, mas vestimos o sangue dos aprisionados, dos remorsos, e caminhámos... Soltos.
As portas ainda fechadas - escotilhas de maçaneta -, acalmam o acordar dos prédios - bocejo surdo.
Já amanheceu - repetes. Agora num sussurro.. Crês que adormeci no teu ventre, tão branco, e já não existo.                                                     
                                                                 (Nunca existi)

Cheira a pele... E os copos vazios fitam-nos como duas velhas de preto em reprovação.
- Sim. Já amanheceu.
Morri por dois minutos... Já foi suficiente.