9.2.12

Caiem Anjos

Caíram anjos nos pratos da morte e a sombra dos dias não deixa que vejas o sul, o norte, o espelho e a faca, nem mesmo os finos fios de cabelo aprisionados nas páginas das utopias; caíram anjos nos pratos da morte e as águas reflectem o estupro e a triste sorte dos muros erguidos nos arredores do teu peito, dos ais e dos sorrisos esquecidos por tanto amares a queda - os corpos; caíram anjos nos pratos da morte e o que dizes sai-te pelo sexo na crença de que conforte o corpo - o teu e o dos outros, que a vida já te sai cara e os castigos estão para lá da foz de um rio no Uzbequistão; caíram anjos nos pratos da morte e tu não deste por nada. Nem mesmo por ti a caminhar de sapatos trocados, luvas nos pés e fogão ás costas.