20.6.12

Finos Traços... Fim do Mundo



Atiraram os Cantos para o Fim do Mundo; para onde não existem portas ou mãos fechadas. Atiraram-nos, mas não os viram cair. Por isso é possível que ainda voem, algures, para lá do teu umbigo, para lá das vicissitudes da inconstância que é a divina beleza do abismo, do fim. E não há fim sem silêncio. E ainda te oiço gemer. Ainda te sinto a caminhar nas minhas têmporas à procura de um Canto, apenas, que tenha sobrado da peleja. Não, meu anjo. Levaram tudo! - respondo-te, ainda que na ausência da inquirição; porque me detona os teus tremores secos, as tuas pernas abertas e os cabelos cortados à pressa. E tu caminhas ainda assim; porque não acreditas em palavras, ou em toda a simbiose fétida necessária à construção de um discurso lógico, perceptível, eloquente, regado pela verdade evidente, que mente, mente sempre. Os cantos ainda não caíram. Tê-lo-ia ouvido. Só estranho os pés descalços, a casa arrumada, as flores no vaso e este fino traço de sangue pelo chão.... Será um Canto, uma Manhã... ou o teu ‘pequeno’ Fim do Mundo?