12.11.13

A Sustentabilidade da Tua Existência



... E de repente: Tu!

 como uma luz encarniçada, largando olhares de culpa por entre os meus dias futuros; como um caminho por caminhar, uma mão que se nega abrir; caindo a cada gesto numa doce recriminação que eu embalo
 como se nada mais importasse
 como se nada mais fosse possível
como um vinho acre que teimamos em beber, sós, cantando, deixando para trás todos os passos que não pisamos

 és o fardo que não carrego, e por isso te sinto tão pesada nos meus olhos, tão farta no meu canto

 não te reprimo, mas piso-te. Por não saber outro caminho, outra forma de sustentar a existência que, em mim, me é tão estranha.