12.11.13

A Sustentabilidade da Tua Existência



... E de repente: Tu!

 como uma luz encarniçada, largando olhares de culpa por entre os meus dias futuros; como um caminho por caminhar, uma mão que se nega abrir; caindo a cada gesto numa doce recriminação que eu embalo
 como se nada mais importasse
 como se nada mais fosse possível
como um vinho acre que teimamos em beber, sós, cantando, deixando para trás todos os passos que não pisamos

 és o fardo que não carrego, e por isso te sinto tão pesada nos meus olhos, tão farta no meu canto

 não te reprimo, mas piso-te. Por não saber outro caminho, outra forma de sustentar a existência que, em mim, me é tão estranha.

1 comentário:

Anónimo disse...

Estranha a existência, em ti.
Existência estranha com franqueza!

Quanto quanto? Ou até quando?
Intrigante!

Ao chegar aqui, elevo-me no tempo e no espaço e vejo cada passo.
Não os que não percorremos.
E descalço.
Em mim, é me igualmente estranha. Tão estranha que talvez nem seja para mim.
Poeta estranho!
Recuo três passos daqueles que não percorri, olho em frente no regalo do amargo que bebo.

E fico.

Desinquietada.