16.12.13

Bolo de Laranja


Adormeci, sim. Mas foi apenas cansaço. Não que a poeira dos sonhos me tivesse vencido, não... Apenas foi o cansaço, a demora, a espera. A espera do quê? De ti, de mim, de nós, do mundo inteiro sempre a girar para o mesmo lado; da barriga das minhas pernas que insiste em não parir, do mar que afinal não desagua em lado nenhum e dos bolos de laranja, que afinal sabem sempre ao mesmo: a bolo de laranja.
Foi o cansaço, sabes. Foi este interminável cansaço que me obriga a acordar quando não quero, a adormecer quando não posso e a cantar quando anseio silêncios. Os silêncios não cansam, sabias? Quando alguém está muito calado quer dizer que está a amar uma ideia, uma sombra, um sorriso ou um susto. Mas eu, eu nunca me assusto. Porquê? Por causa do cansaço. Este maldito e fétido cansaço que me leva nos seus braços para dentro de um gruta, escura e húmida, todas as noites e me conta tudo o que eu não quero saber; para beber chá - sempre frio - acompanhado com finas fatias de bolo de laranja... Que sabe sempre ao mesmo: a bolo de laranja.

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