2.10.15

Rubus idaeus



As folhas de Outono davam ao patamar, por baixo do alpendre, um toque quase reconfortante. Porém,  este cenário de calma aparente rangia abandono, desolação.
Subiu lentamente os últimos degraus, pisou o tapete de folhas e abriu a porta devagar ... Não tinha medo. Medo de uma casa vazia?  Um cheiro adocicado, forte, entrou-lhe pelas narinas sem avisar. Por um segundo sentiu-se zonza, mas depressa recuperou  o equilíbrio. Caminhou em direcção à escada de acesso ao primeiro piso e, subitamente, a porta fechou-se com estrondo atrás de si. Mãos nervosas apertaram-lhe a traqueia: pânico!!! Tentou libertar-se: em vão!!!  “Ar... !!!”
- Joana!!!
- Sim mãe?
- São horas.
- Que cheiro é este?
- Tarte de framboesa. A tua preferida!
- Obrigado, mãe. Já desço.
 Tenho de apanhar as folhas do alpendre – pensou, enquanto se calçava. É o primeiro dia de escola. Não posso chegar atrasada.

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